Numa visita surpresa de Jair Bolsonaro (sem partido) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, o ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu que o presidente da República vete um dispositivo que libera reajustes ao funcionalismo público.

O item cujo veto foi defendido por Guedes foi incluído no pacote de ajuda a estados e municípios analisado pelo Congresso Nacional e teve aval de Bolsonaro, contra a vontade de Guedes.

“A necessidade, na visão da [pasta da] Economia, é que o presidente vete o aumento de salários, por exemplo, ano que vem. É não pedir aumentos por um ano e meio, uma contribuição”, declarou o ministro numa reunião ao lado de Bolsonaro, Toffoli, ministros e representantes empresariais e da indústria. “A contribuição do funcionalismo é não pedir aumentos”, disse Guedes.

Num gesto pouco usual, Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto nesta quinta-feira (7) e, a pé, levou um grupo de empresários e representantes da indústria para uma visita fora da agenda ao presidente do STF.

Os empresários tiveram reunião com Bolsonaro e com o ministro Paulo Guedes na manhã desta quinta. Participaram representantes de entidades como a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), entre outros.

O plenário virtual do Senado aprovou, nesta quarta-feira (6), projeto que prevê ajuda financeira de aproximadamente R$ 125 bilhões para estados e municípios por causa da pandemia do novo coronavírus.

O resultado da votação impôs uma derrota a Paulo Guedes.

 

***FOTO DE ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 31-03-2020 – Os ministros da Justiça, Sérgio Moro, da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, da Casa Civil, General Braga Netto e da Economia, Paulo Guedes, durante coletiva de imprensa para falar sobre as ações do governo no Combate ao novo Coronavírus. No palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

 

A equipe econômica tentava congelar reajustes salariais para todos os servidores públicos até o fim de 2021 e incluiu esse item como uma das contrapartidas para a liberação do socorro aos estados e municípios.

Na votação desta quarta, porém, os senadores chancelaram alterações feitas pela Câmara, apoiando flexibilizar o congelamento salarial -o que, na prática, abre brechas para que sejam concedidos reajuste para algumas categorias, como policiais e professores.

O texto foi aprovado por 80 votos a favor e nenhum contrário.

Segundo o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO), que capitaneou o movimento entre os deputados, a articulação teve o respaldo do presidente Jair Bolsonaro. “Não estamos concedendo aumento a ninguém, mas aceitando a possibilidade de aumento, que na prática é remota”, afirmou.

“Essa construção consta sim com o apoio do presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

Após o aval do plenário, a proposta segue para sanção de Bolsonaro.

Se for sancionado ainda nesta semana, o primeiro repasse dos recursos poderá acontecer na primeira quinzena de maio.