POR MÔNICA BERGAMO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Greenpeace enviou na terça-feira (3) emails a diplomatas que participam de viagem à Amazônia liderada pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, propondo um roteiro alternativo. A visita oficial foi iniciada nesta quarta (4) e é considerada uma das estratégias para combater a imagem negativa do país no exterior em temas ambientais.

Na rota do Greenpeace foram incluídas áreas vulneráveis no bioma e que têm registrado focos de desmatamento e incêndio nos estados do Pará e Amazonas.

“Uma viagem diplomática pela Amazônia brasileira que não inclua na rota os desafios e graves danos ambientais que a região enfrenta é uma viagem incompleta e uma oportunidade perdida”, afirma a ONG.

 

Foto: Reprodução/Twitter

 

Foram convidados diplomatas de diversos países, entre eles os embaixadores de Alemanha, Suécia, África do Sul, Canadá, Colômbia, Peru e União Europeia. Também foram chamados diplomatas do Reino Unido, França e Portugal, além da secretária-geral da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), María Alexandra Moreira López.

A programação inclui uma visita ao Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) em Manaus, reunião com o governador Wilson Lima (PSC), visita a um laboratório de investigação de crimes ambientais e um passeio para ver o encontro das águas entre os rios Negro e Solimões.

No Pará, a rota alternativa proposta pelo Greenpeace inclui áreas protegidas como o Parque Nacional e Floresta Nacional de Jamanxim, a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, a Estação Ecológica da Terra do Meio e a Terra Indígena Cachoeira Seca, ameaçadas pelo desmatamento e por atividades ilegais como o garimpo.

“Enquanto o governo federal brasileiro não assume a responsabilidade e nem apresenta medidas concretas para enfrentar essa grave crise ambiental, as taxas de desmatamento e fogo continuam subindo a níveis alarmantes”, diz o Greenpeace.

Já no Amazonas, estado brasileiro que abriga a maior área da floresta conservada, o roteiro passa pelos municípios de Lábrea, Apuí, Novo Aripuanã e pela divisa com Rondônia, em Porto Velho. O documento alerta os diplomatas que até mesmo porções conservadas estão em risco por causa da reconstrução da rodovia BR-319.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta (4) que a viagem mostrará tanto partes afetadas pela ação humana quanto partes preservadas para que os embaixadores tirem suas próprias conclusões.

Mourão considera que a reativação do Fundo Amazônia, mantido com doações da Alemanha e Noruega, depende principalmente da apresentação de resultados concretos dos esforços de combate a ilícitos ambientais na região.