Ela é contra. O PT é contra e não aceita nenhum argumento na linha do “se não fizer a reforma da Previdência o Brasil quebra”. Nada disso. Para a deputada federal Gleisi Hoffmann, integrante da bancada paranaense na Comissão Especial da Previdência, o governo Jair Bolsonaro (PSL) quer fazer uma grande ‘sacanagem’ com os que ganham menos.

“Teria que mexer no regime de aposentadoria especial dos estados, no regime próprio dos servidores públicos, mas querem mexer no Benefício de Prestação Continuada dos idosos que ganham pouco, querem mexer com a vida da grande maioria dos brasileiros que ganham salário mínimo. Esta reforma é uma grande sacanagem com quem ganha menos”, disse Gleisi em entrevista ao Jornal da Banda B nesta quinta-feira (23).

Gleisi na articulaçao dentro da Comissão Especial da Previdência – Foto: PT

Presidente nacional do PT, Gleisi deixa claro que, no Congresso, a ordem para todos os integrantes do partido não só votar contra, mas também buscar articulação com outros partidos e atuar em conjunto para barrar o projeto proposto pelo governo Jair Bolsonaro.

“Somos contra a reforma. Não é o momento e, se tiver que fazer reforma que seja a tributária. Precisamos reduzir os impostos para quem ganha menos e aumentar para quem ganha mais, inclusive para financiar a Previdência pública”.

Mas e o rombo de R$ 300 bilhões em 2019?

Em relação ao argumento do governo que o rombo da Previdência será de R$ 300 bilhões em 2019, a petista ressalta que o prejuízo vem do funcionalismo.

“Majoritariamente o rombo vem do regime próprio do servidor público. É nisso que tem que mexer (…) Até 2015 tínhamos superávit porque a economia estava funcionando. Se tivermos mais pessoas empregadas teremos maiores receitas para o INSS”, pontuou.

Gleisi também descarta o argumento de que o país vai quebrar em poucos anos sem a reforma da Previdência.

“É a mesma história que veio para aprovar a reforma trabalhista. Diziam que era essencial, do contrário empregos não seriam gerados e a economia iria patinar. Já temos quase três anos dessa reforma e mais de 13 milhões estão desempregados. Piorou o quadro. Então, quando vendem solução fácil para todos os males, pode desconfiar”.

A deputada disse ainda que o PT apresentou várias emendas supressivas para assegurar direitos dos que ganham menos, caso a reforma ande no Congresso.

Na entrevista, também fez duras críticas ao presidente Bolsonaro. “O país está se dando conta que ele não tem competência, nem articulação política e nem equilíbrio emocional para ser presidente”, afirmou.

Gleisi Hoffmann foi a terceira entrevistada na Rádio Banda B dentro da série com os cinco representantes do Paraná na Comissão Especial da Previdência. O primeiro entrevistado foi o deputado Filipe Barros (PSL) e o segundo foi o deputado Stephanes Jr (PSD)..

Ao longo da semana a Banda B irá ouvir ainda Felipe Francischini (PSL) e Paulo Martins (PSC).

Ouça

Ouça a entrevista de Gleisi Hoffmann para Paulo Sérgio Debski e Denise Mello no Jornal da Banda B: