O que fazer quando três aliados se apresentam como pré-candidatos à prefeitura de Curitiba? Nada; ou seja, não apoiar ninguém.

Está é a opinião do deputado estadual Fernando Francischini, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na Assembleia Legislativa do Paraná, líder da maior bancada e apoiador do governador Ratinho Júnior (PSD). O maior nome do PSL no estado já está em pré-campanha pelo cargo de prefeito da capital desde o ano passado e disse hoje, em entrevista à Banda B, que espera uma posição isenta de Ratinho no pleito em outubro.

“Já falei com o governador e ele tem um olhar muito técnico sobre a eleição em Curitiba. Do ponto de vista político, são três nomes de aliados do governador: Rafael Greca que não é oposição pelo DEM, o secretário estadual Ney Leprevost, também do PSD e eu que sou presidente da CCJ e aprovei 100% dos projetos do governo. Não há como ele entrar numa eleição apoiando alguém. Acho que a decisão mais sábia é essa já que todos são aliados”, disse Francischini ao Jornal da Banda B, nesta segunda-feira (3).

Levantamento da Paraná Pesquisas realizado no último mês de 2019 mostrou que Ratinho Junior tinha uma aprovação de 73,6% entre os curitibanos. A reprovação era de 22% e 4,4% “não sabe ou não opinou”.  O Instituto ouviu 1.352 eleitores de Curitiba, durante os dias 11 a 13 de dezembro de 2019. Grau de confiança de 95% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,5% para os resultados gerais.

Deputado Fernando Francischini em entrevista à Banda B

Na entrevista para Paulo Sérgio Débski e Denise Mello, o deputado disse ainda que não há chance de coligação do PSL com qualquer outro partido em Curitiba para indicar o vice. “Estão falando por aí que o PSL poderia se coligar com este ou com aquele grupo para ser vice. A chance disso acontecer é zero. Repito: zero, completou.

Numa postura clara de que não adotará, pelo menos num primeiro momento, uma postura de ataque contra o prefeito Rafael Greca, Francischini já mostra que sua linha será de mudança de foco. “Curitiba é uma cidade linda e Greca é um bom zelador da cidade, mas tem muito concreto e asfalto. É preciso focar agora nas pessoas e ir à frente. Temos uma das tarifas do transporte coletivo mais cara do Brasil, o IPTU teve um dos maiores reajustes, moradores de rua se proliferam… mas venho para criticar, mas sim para enfrentar os desafios com soluções para resolver”, afirmou.

O pré-candidato do PSL disse que vem recebendo pedidos de moradores de Curitiba e visitado vários bairros para ouvir a população. Garante que está se preparando para administrar a cidade e não esconde de ninguém que este foi um dos objetivos ao trocar a reeleição à Câmara Federal, dada como certa, para voltar ao Paraná e disputar um cargo na Assembleia. “Curitiba é uma cidade que me acolheu e venho me preparando para a prefeitura há muito tempo”.

Sem Bolsonaro

Um dos principais articuladores da candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, o líder do PSL na Assembleia minimizou a saída do presidente do partido para o partido que está lançando, o Aliança pelo Brasil. Francischini não acredita que esta mudança possa enfraquecê-lo na disputa pela prefeitura da capital. “Não é o partido que vai tutelar quem eu apoio (…) O político tem que se despregar de padrinhos políticos e se apoiar mais em princípios e valores”.

O pré-candidato garantiu ainda que vai continuar apoiando o governo Bolsonaro, independente da saída do presidente do PSL. “Eu ajudei a fazer a chamada ‘onda Bolsonaro’ e enquanto o Moro estiver no comando da Segurança e a economia estiver no rumo certo, independentemente de onde ele estiver vou apoiá-lo”, completou.