O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse que não renunciará do cargo de senador. A declaração foi feita em entrevista ao Jornal do SBT nesta quinta-feira (24). O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro é investigado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por movimentações financeiras atípicas apontadas em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

“É mentira, não sei nem de onde surgiu essa história. Eu nem tomei posse ainda. Eu vou tomar posse e vou trabalhar muito ainda pelo Rio de Janeiro e pelo meu Brasil, pode ter certeza disso. Eu não vou me afastar e que quero aproveitar a oportunidade pra falar para todo o Brasil da grande perseguição política que eu estou sofrendo do meu Estado”, disse.

Flávio Bolsonaro em entrevista ao SBT

Flávio afirmou ainda que é “contra milícias”, e que frases que ele havia dito sobre o tema, em um debate na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 2007, foram tiradas de contexto.

Em relação a homenagens que fez a PMs acusados de comandar um dos grupos milicianos mais antigos do Estado, em Rio das Pedras, Flávio justificou que já ofereceu “centenas” de moções parabenizando profissionais de segurança pública e que não sabia, à época, sobre as acusações. Um dos homenageados estava preso no momento em que o pedido de homenagem foi protocolado.

“Eu sou contra milícias, só que nesse momento (em 2007) estava começando uma discussão sobre o que era isso. Estava se generalizando de uma forma muito preocupante”, disse Flávio à emissora. “Eu sempre fiz a defesa dos profissionais de segurança pública. E qualquer lugar onde moravam dois ou três policiais já estava sendo considerado ‘milícia’.”

Na ocasião, há 12 anos, o deputado federal havia dito que “não se pode simplesmente estigmatizar as milícias”, e se referiu aos grupos como um “novo tipo de policiamento”. Nesta quinta-feira, 24, Flávio disse que é contra qualquer tentativa de se implantar um “Estado paralelo” a governos constituídos.

Sobre o PM Adriano Magalhães da Nóbrega, que cumpria pena em 2005 quando foi homenageado por Flávio, o senador eleito disse que “essas informações estão vindo à tona agora, apenas”. O Estado também apurou que o filho do presidente empregava, até novembro do ano passado, a mãe e a esposa de Nóbrega em seu gabinete – que teriam sindo indicadas por seu ex-assessor e motorista, Fabrício Queiroz.

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