Reconhecido como referência mundial em acordos bilaterais, o Tratado de Itaipu completou 50 anos nesta quarta-feira (26). A data foi celebrada com um grande encontro no Edifício de Produção da usina hidrelétrica, e também com a notícia da expectativa de que haja redução de 1% nas contas de energia dos brasileiros a partir do próximo mês.

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional.

Participaram do encontro diretores brasileiros e paraguaios da binacional, conselheiros, autoridades convidadas, empregados e empregadas de Itaipu. A informação sobre a expectativa de redução nas contas de energia foi comentada pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. 

Ele explicou que essa economia será com o pagamento da última parcela da dívida da construção da usina neste ano. A Itaipu Binacional pagou, em fevereiro deste ano, a última parcela da dívida de construção da usina, que era de 115 milhões de dólares, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Eletrobras, pagamento feito 50 anos após a celebração do Tratado com o Paraguai para realização da obra.

Por conta desse valor pago, a conta não mais existirá. No caso da conta de energia, não deve cair drasticamente, porque a Itaipu representa 10% da produção de energia para o Brasil, mas vai diminuir.

“A expectativa, a partir do próximo mês, é que haverá redução de 1% no preço da energia. Se Itaipu representasse 100% da energia produzida para o Brasil, cairia 20%”, disse Verri.

explicou Enio Verri
Foto: Rafa Kondlatsch/Itaipu Binacional.

Segundo Enio Verri, em abril deste ano o valor da taxa de venda de energia estava em pouco mais de 20 dólares por KW/h e caiu para 16,31 dólares. Do lado brasileiro da usina, a redução ficou em 20% após negociações. 

Enio comentou que há quem acredite que o Brasil deveria buscar o valor de 12,77 dólares por kw/h, mas que isso não foi possível por conta das diferenças de desenvolvimento entre os países. Ainda assim, o diretor brasileiro da Itaipu destacou a importância de estreitar a parceria entre os países vizinhos.

“É difícil você fazer um debate sobre isso porque como nosso países têm diferenças de políticas e desenvolvimento, para o meu país, o mercado quer que eu tenha energia elétrica o mais barato possível. O Paraguai neste momento, para ele é importante, é ter um excedente para investir no país, o que é justo, não tem problema nenhum, então sempre teremos essa dificuldade”.

comentou Enio Verri
Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional.

Tratado de Itaipu

O Tratado de Itaipu foi assinado em Brasília, no dia 26 de abril de 1973, pelos governos do Brasil e do Paraguai, após anos de negociações para o aproveitamento conjunto dos recursos hidroelétricos do Rio Paraná, no trecho entre Guaíra e Foz do Iguaçu.

O documento é considerado um marco da engenharia diplomática, pois a assinatura do Tratado colocava um ponto final em uma disputa de fronteira que durava mais de dois séculos, abrindo o caminho para a construção daquela que se tornaria a maior geradora de energia limpa e renovável do planeta: a usina de Itaipu.

Para o diretor-geral brasileiro, Enio Verri, o Tratado de Itaipu é um símbolo de cooperação entre os dois países e um marco histórico para a diplomacia latino-americana.

“Esses 50 anos representam muito mais que uma grande obra de engenharia. Representam o respeito mútuo e a compreensão de que somos parceiros, construímos juntos, pagamos juntos e vamos continuar evoluindo juntos por, pelo menos, mais 50 anos”

concluiu Enio.

Neste ano de 2023, com a quitação da dívida histórica para a construção da hidrelétrica, o Anexo C poderá ser revisado, conforme prevê o texto do próprio tratado. As negociações serão conduzidas pelos Ministérios de Relações Exteriores dos dois países.

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Após fim de dívida da Itaipu, conta de energia deve cair: ‘Expectativa de redução de 1%’, diz Enio Verri

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