O filho do ex-governador Beto Richa, André Richa, administrador da empresa da família Ocaporã, foi também denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) no início da noite desta terça-feira (29), mas não foi feito pedido de prisão contra ele. A informação é do Blog Contraponto, do jornalista Celso Nascimento.

A denúncia foi encaminhada ao juiz da 23.ª Vara Criminal Federal, Paulo Sérgio Ribeiro. Nela, os procuradores reiteram o pedido de prisão preventiva de Beto Richa e do contador das empresas da família, Dirceu Pupo Ferreira – já presos desde a última sexta (25).

André foi quem negociou a compra em 2014 de um lote no condomínio de luxo Beau Rivage, no valor de R$ 1.930.000,00, sendo que R$ 1 milhão foram representados por permuta de dois lotes da família no condomínio Alphaville (R$ 500 mil cada) e R$ 930 mil pagos em dinheiro vivo. No registro de imóveis, no entanto, não consta a parte paga em espécie, configurando o “branqueamento” de capital.

Segundo apresenta o jornalista Celso Nascimento, foi o filho André Richa que deu aos procuradores do Ministério Público Federal elementos para que o pai fosse denunciado também por crime de lavagem de dinheiro – um acréscimo às acusações de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à justiça que levaram o juiz Paulo Ribeiro decretar sua prisão preventiva.

Ex-governador Beto Richa – Foto: Divulgação AnPR

Em depoimento ao MPF, André, que figura como sócio da empresa da família Ocaporã Administradora de Bens, revelou que o contador Dirceu Pupo Ferreira (também preso) prestava contas frequentes sobre o andamento dos negócios à sua mãe, Fernanda, ao seu irmão Marcello e também ao pai Beto Richa, embora este não figure formalmente do quadro societário.

Os promotores logo depreenderam que o ex-governador tinha conhecimento quanto à forma com que eram adquiridos imóveis. Entrou aí a teoria do “domínio do fato”, mesmo princípio usado pelo ministro aposentado Joaquim Barbosa para condenar 39 graúdos envolvidos no mensalão do PT.

No Contraponto há o diálogo de André Richa com o promotor do Ministério Público Federal foi assim transcrito na petição contendo a denúncia por lavagem contra Beto Richa e Dirceu, além do próprio André:

Promotor: A sua mãe é sócia dessas empresas?

André: Sim.

Promotor: Qual é o papel dela nessas empresas?

André: Nenhum. Ela não atua nas empresas. Não faz nada.

Promotor: Ela não decide nada sobre essas decisões estratégicas de compra e venda, nem opina?

André: Não.

Promotor: O seu pai?

André: Talvez. Se fosse, seria ele.

Promotor: Ele que seria a principal pessoa com quem o Pupo conversa?

André: Acredito que sim.

Promotor: Ele figura como sócio nessas empresas?

André: Não.

Promotor: E por que essa prestação de contas ou essa tomada de decisões é feita com ele e não com os sócios?

André: Não, a prestação de contas é feita com os sócios.

Promotor: Também. Mas por que com ele, se ele não integra?

André: Não sei. Não saberia lhe dizer.

A defesa de Beto Richa nega que o ex-governador tenha cometido qualquer irregularidade e ainda não se manifestou sobre esta segunda denúncia.

Leia aqui a íntegra da denúncia 

Fernanda Richa rebate

A ex-primeira dama e secretária Fernanda Richa endereçou à Justiça Federal uma “Petição de Esclarecimento” sobre menções que o Ministério Público Federal fez a ela ao longo das quase 300 páginas em que foram denunciados seu marido, Beto Richa, e outras 32 pessoas, acusadas de participar de um esquema corrupto na setor de concessões rodoviárias no Paraná.

Fernanda ficou particularmente revoltada com a má interpretação que procuradores do MPF fizeram de anotações que encontraram em sua caixa de e-mail.

Leia aqui a petição de Fernanda na íntegra