O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (16), suspeito de receber seis imóveis avaliados em mais de R$ 146,5 milhões como propina do Banco Master. A ação faz parte da quarta fase da Operação Compliance Zero.

Costa é investigado por sua atuação na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, além da aquisição de carteiras oferecidas pela instituição. O Banco Central barrou o negócio e determinou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro por falta de liquidez.
Segundo a PF, o ex-presidente do BRB teria ocultado seis imóveis de alto padrão recebidos como propina do Master — quatro localizados em São Paulo e dois em Brasília. No total os imóveis somavam um valor de mais de R$ 146,5 milhões.
Quem expediu o mandado de prisão foi o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (15). Além disso, ele determinou a prisão do advogado do Banco Master, Daniel Monteiro, apontado como responsável por estruturar o esquema societário e financeiro para aquisição e ocultação dos imóveis.
Quem é o ex-presidente do BRB envolvido com o Master?
Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e 2025, após indicação do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Antes disso, teve carreira de quase duas décadas na Caixa Econômica Federal, onde ocupou cargos de liderança, incluindo a vice-presidência de Clientes, Negócios e Transformação Digital.
Ele já era alvo de investigação desde a primeira fase da operação, deflagrada em novembro de 2025. Na ocasião, o Ministério Público Federal chegou a pedir sua prisão, mas a Justiça Federal autorizou apenas o afastamento do cargo.
A defesa, representada pelo advogado Cléber Lopes, afirma que Costa não cometeu irregularidades e classificou a prisão como “exagerada”. “A defesa continua firme na convicção de que Paulo Henrique não cometeu crime algum”, declarou o advogado.
Os imóveis recebidos como propina
Entre os bens investigados está um apartamento no edifício Vizcaya Itaim, na região da Faria Lima, em São Paulo. O prédio possui uma unidade por andar e apartamentos avaliados entre R$ 30,1 milhões e R$ 46,2 milhões.
Além disso, outro imóvel adquirido fica no condomínio Heritage, também no Itaim Bibi, conhecido pelo alto padrão e por abrigar alguns dos imóveis mais caros do país, com unidades que chegam a R$ 42 milhões.
De acordo com a PF, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que, no dia da prisão, ele tentava acelerar a venda de um dos apartamentos após tomar conhecimento das investigações sobre o suposto pagamento de propina.
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