A advogada e ativista Paula Milani, ex-integrante do movimento Acampamento Lava Jato, afirmou nesta segunda-feira (27) estar magoada com o agora ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. O rompimento de Moro com o presidente Jair Bolsonaro na última sexta-feira (24) intensificou divisões internas e deu origem a um novo grupo: ”Acampamento com Bolsonaro”.

Reprodução

Uma das manifestações do novo movimento chegou, inclusive, a ganhar a mídia nacional ao mostrar em vídeo integrantes queimando camisetas do ex-juiz federal. Nas imagens postadas nas redes sociais, cerca de dez mulheres confirmam a mudança. “Aí Sérgio, o Acampamento Lava Jato acabou, até isso você conseguiu. Só que agora nasceu o Acampamento com Bolsonaro. Esse cara não nos representa”, diz uma das apoiadoras, recendo apoio das demais.

Em entrevista à Banda B, Milani justifica a atitude: “Nós queimamos sim a camiseta com a imagem do Moro, porque o que ele fez, vazar print de afilhada de casamento para emissora de televisão, isso é coisa de moleque. A gente jamais esperava isso”.

Ela continua dizendo que o ex-ministro, ao contrário do que pensavam, queria combater apenas o PT (Partido dos Trabalhadores). “A nossa pauta sempre foi o combate à corrupção, ao comunismo principalmente, porque a corrupção é apenas uma consequência do comunismo. O que a gente percebeu foi que o juiz Moro não queria combater o comunismo, queria combater o PT. Por isso estamos profundamente magoados e por isso trocamos o nome do movimento”, afirmou a ativista.

“Oportunismo”

A ex-porta-voz do movimento Acampamento Lava Jato, Narli Resende, porém, criticou o uso da marca do grupo no vídeo e chamou a ação de “oportunismo”.

Resende afirma que o Acampamento Lava Jato foi encerrado no começo de 2018 e, desde então, pessoas têm se utilizado da marca para autopromoção. “Foram alguns os motivos que nos levaram a encerrar o movimento, incluindo rachas internos, ameaças provocadas pela polarização e o ano eleitoral. Mas, de maneira oportunista, esse grupo usa o nome do movimento para fazer campanha ao candidato que escolheram. Não temos nada contra apoiar esse ou aquele candidato, mas repudiamos o uso do nome”, afirmou.

Segundo Milani, Resende nunca fez parte do acampamento e não é apartidária como diz ser. “A senhora Narli Resende é do movimento Curitiba Contra a Corrupção e nunca passou uma noite se quer no acampamento na frente da Justiça Federal. É ela quem está querendo se apropriar do nosso movimento. Nos acusa de oportunismo, mas é ela quem saiu como candidata à deputada federal e quem fez carreata a favor do Bolsonaro na época de campanha”, rebateu a advogada.

Confira o vídeo postado nas redes sociais com a queima de camisetas com a imagem de Sérgio Moro:

Nossa homenagem ao maior traidor da Pátria!#MoroTraidor#FechadoComBolsonaro

Posted by Acampamento com Bolsonaro on Sunday, April 26, 2020