A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino com o objetivo de investigar a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de fraudes fiscais. Um dos alvos foi o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), que teria usado a máquina pública para viabilizar ações ilegais de Ricardo Magro, dono da Refit, refinaria privada em território fluminense.

Quem é Cláudio Castro
Cláudio Castro, ex-chefe Executivo do Rio, foi eleito vice de Wilson Witzel (PSC) em 2018. Em 2021, no entanto, após Witzel ser impichado, Castro assumiu o governo do Estado. Na época, ele deixou a sigla, filiando-se ao Partido Liberal (PL).
Em março de 2026, Castro foi condenado à inelegibilidade pelo período de oito anos. A decisão foi pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por 5 votos a 2. A maioria dos ministros entendeu que o ex-governador abusou do poder político e econômico, com condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022. É importante dizer, porém, que Cláudio Castro renunciou ao cargo um dia antes da decisão do TSE, evitando a cassação formal.
No caso de Ricardo Magro, dono da Refit, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão. O empresário, que vive no exterior, teve o nome incluído na lista vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). Ele é considerado um dos maiores devedores tributários do Brasil.
Cláudio Castro é suspeito de facilitar crimes de Ricardo Magro
De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as denúncias indicam que Cláudio Castro pode ter viabilizado algumas ações criminosas de Ricardo Magro. Existem indícios de que agentes públicos de alto escalão do Rio de Janeiro receberiam em torno de R$ 300 mil mensais para facilitar processos do grupo investigado. Um dos suspeitos, que é fiscal de rendas, pode ter acumulado mais de R$ 12 milhões em propinas nos últimos anos.
Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o Estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro engajamento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro.
disse a Polícia Federal, segundo a Folha
Entenda a Operação Sem Refino, da Polícia Federal
De acordo com a PF, o conglomerado econômico do ramo de combustíveis, alvo dos agentes que conduziram a Operação Sem Refino, é suspeito de utilizar a estrutura societária e financeira “para ocultação patrimonial, para dissimulação de bens e para evasão de recursos ao exterior”.
A Polícia Federal informou que, na manhã desta sexta-feira (15), foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, um deles contra Cláudio Castro, e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. A determinação partiu de Moraes, do STF. Foi nesta ação que o nome de Ricardo Magro foi incluído na lista da Interpol. A operação contou com o apoio técnico da Receita Federal (RF).
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões, aproximadamente, em ativos financeiros e a suspensão de atividades das empresas sob investigação da PF.
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