Eleitor de Lula teme golpe de Bolsonaro e sofre mais ameaças por política, aponta Datafolha

Sistema eleitoral, avaliação do Congresso e do STF, redes sociais e fome/auxílios, estão entre os temas pesquisados

Folhapress

JÚLIA BARBON
RIO DE JANEIRO , RJ (FOLHAPRESS) – Os eleitores que pretendem votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem sofrer mais ameaças por suas posições políticas e, em sua maioria, acreditam que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentará dar um golpe de Estado antes do pleito de outubro.

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Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Os apoiadores do petista têm uma visão mais positiva do STF (Supremo Tribunal Federal), mas seguem a média geral quanto à avaliação do Congresso Nacional. Eles também afirmam ser menos presentes e engajados nas redes sociais do que os bolsonaristas.

Oito em cada dez eleitores de Lula acreditam que o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e a criação de novos auxílios pelo governo até o fim do ano foram pensados para ganhar votos para Bolsonaro e, ainda assim, mais da metade deles acha o valor insuficiente.

Cerca de um quarto dos que votarão nele recebe o benefício e vendeu algum bem ou objeto de valor para comprar alimentos ou itens básicos nos últimos meses. O ex-presidente tem mais aderência entre os brasileiros mais pobres, jovens, negros e indígenas, nordestinos, menos escolarizados e mais católicos.

Veja abaixo o que pensam as pessoas que têm Lula como sua primeira opção para presidente sobre esses quatro temas: sistema eleitoral, avaliação do Congresso e do STF, redes sociais e fome/auxílios.

Os assuntos foram questionados na última pesquisa Datafolha, feita com 2.556 pessoas acima de 16 anos em 183 cidades de todo o país nos dias 27 e 28 de julho. Ela foi contratada pela Folha e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-01192/2022.

A margem de erro total é de dois pontos percentuais. É importante ponderar, porém, que ela aumenta quando se considera apenas os que votarão em cada pré-candidato: é de três pontos entre eleitores de Lula, quatro em Bolsonaro e sete em Ciro Gomes (PDT), sempre na pesquisa estimulada.

Os demais postulantes ao cargo não foram incluídos porque a amostra é muito pequena.

1. Ameaças


A parcela de eleitores de Lula que acha que Bolsonaro tentará dar um golpe de Estado chega a 58%, contra 37% da média geral. Eles também acreditam que os ataques e ameaças do presidente às eleições devem ser levados a sério (61% contra 56%).

Quase 1 em cada 5 petistas diz ter sido ameaçado verbalmente nos últimos meses por suas posições políticas (19%). Entre os apoiadores de Bolsonaro, o índice é de 12%, portanto no limite das margens de erro. Já as ameaças físicas foram relatadas por 9% dos lulistas e 5% dos bolsonaristas.

2. Avaliação do STF e Congresso

Quase um terço dos eleitores de Lula avalia o trabalho dos ministros do STF como bom ou ótimo (31%), parcela que é de apenas 23% entre os eleitores em geral. Já em relação aos parlamentares, a reprovação é parecida nos dois recortes: 37% e 39%, respectivamente.

Os que pretendem votar no petista também ficam próximos da média quando perguntados se lembram em quem votaram para senador (15% lembram) e deputado federal (18%) em 2018 e se acompanham o trabalho desses congressistas até hoje (63% e 64% acompanham).

3. Redes sociais

As pessoas que pretendem escolher Lula para presidente são menos presentes nas redes sociais (36% delas não têm nenhuma conta e 26% não têm aplicativos de mensagem), quando comparadas aos apoiadores de Bolsonaro (24% e 16%) e de Ciro (22% e 17%).

Elas também se dizem menos engajadas -só 25% seguem os perfis do ex-presidente, contra 38% do atual presidente. É mais comum que elas deixem de publicar ou compartilhar algo sobre política para evitar discussões com amigos ou familiares (44%, contra 35% de Bolsonaro).

4. Fome e auxílios sociais

Lula tem mais adesão entre os que passaram aperto nos últimos meses para comer: 25% deles venderam algum bem ou objeto de valor para comprar alimentos, 71% compraram marcas mais baratas, 37% compraram produtos próximos ao vencimento e 27% compraram sobras de carne ou frango.


Quase metade dos que o apoiam (45%) afirma que a quantidade de comida em casa foi insuficiente recentemente, contra 33% da média geral. Entre seus eleitores, 28% recebem Auxílio Brasil, 65% acham que o novo valor de R$ 600 é insuficiente, e 80% acreditam que os novos benefícios dados por Bolsonaro só buscam votos.

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