KATNA BARAN

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Com um eleitorado tradicionalmente conservador, a disputa para a Prefeitura de Curitiba em 2020 está dividindo o campo da centro-direita, vencedor na maior parte dos pleitos na capital paranaense.

Entre os principais pré-candidatos, pelo menos quatro são de partidos desse espectro, como o próprio prefeito, Rafael Greca (DEM), que vai tentar a reeleição.

A pré-campanha tem alguns temperos a mais, como brigas intrapartidárias em torno da definição de nomes e pelo cobiçado apoio do governador, Ratinho Jr. (PSD).

O vice prefeito Eduardo Pimentel, o prefeito Rafael Greca e o governador Ratinho Junior, – Foto de arquivo – Cesar Brustolin/SMCS

No entanto, ele já avisou que deve ficar neutro ao menos no primeiro turno. Greca e o deputado federal Ney Leprevost (PSD) são os protagonistas da queda de braço em torno do governador.

“Isso me libera de ter a mesma postura. Se ele [Ratinho] for neutro, eu serei na próxima eleição [de 2022] neutro. Amor com amor se paga”, avisa o atual prefeito.

O aceno de Greca ao governador ocorreu principalmente com a filiação de seu vice, Eduardo Pimentel, no PSD. A jogada ameaçou a pré-candidatura de Leprevost, que garante, de outro lado, ser o nome oficial do partido na disputa, mesmo sem apoio explícito de Ratinho.

“Me dediquei mais à campanha do governador do que à minha própria de deputado federal [em 2018] em Curitiba.

O eleitor firme dele [Ratinho] já vem naturalmente comigo, independente de exposição pública manifestando apoio”, avalia.

Greca e Leprevost já se enfrentaram no segundo turno do último pleito, do qual o atual prefeito saiu vencedor com diferença de 6,5% dos votos. O então prefeito Gustavo Fruet (PDT), que também quer retomar a cadeira em 2021, amargou o terceiro lugar na ocasião.

A derrota, na opinião do hoje deputado federal, foi consequência de uma “perseguição” do então governador, Beto Richa (PSDB), sobre a gestão municipal, principalmente na falta de liberação de recursos para pavimentação e subsídio sobre o preço da passagem de ônibus.

“O nível de investimento na nossa gestão foi maior do que o da atual, mesmo com a perseguição estadual”, defende Fruet, alternativa mais à esquerda no jogo político local. Ele acredita, porém, que a ideologia tem menor importância na escolha em comparação à eleição nacional.

O parlamentar ainda luta para ser o candidato do PDT, já que não é descartado o nome do deputado Goura Nataraj para encabeçar a campanha. Mestre em filosofia e professor de yoga, ele tem se destacado na oposição a Ratinho na Assembleia Legislativa.

Mais à direita do que os outros políticos, aparece o deputado estadual Delegado Francischini (PSL). Principal apoiador do presidente Jair Bolsonaro no Paraná, até hoje ele não ocupou cadeiras eletivas no Executivo.

Por quatro meses, foi secretário de segurança do governo Richa (2015-2018), cargo em que protagonizou o controverso cerco a professores que protestavam contra um pacote de austeridade do tucano, episódio que acabou com mais de 200 feridos.

“No novo normal, vamos ter que trabalhar em conjunto com a iniciativa privada para fazer a roda da economia curitibana girar, principalmente em serviços”, propõe o parlamentar.

Na última eleição, Francischini obteve recorde de votos para o Legislativo estadual, levando seu partido a formar a maior bancada, base de Ratinho.

Ainda no campo da direita, deve estrear nas urnas o médico João Guilherme, do Novo. Ao lado dos demais pré-candidatos, faz coro às críticas sobre o controle da pandemia em Curitiba por parte do atual prefeito.

Outra recordista de votos no Paraná, mas para a Câmara Federal em 2014, a deputada Christiane Yared (PL) promete contrapor os demais pré-candidatos na análise da atual gestão.

“Ele [Greca] jamais achou que teríamos uma pandemia. Não sou de criticar e não vejo como isso vá acrescentar no debate”, avalia a parlamentar, cujo partido faz parte da base de Bolsonaro no Congresso e de Ratinho na Assembleia do Paraná.

Ex-prefeito da capital, quando assumiu o mandato deixado por Richa, em 2010, o deputado federal Luciano Ducci (PSB) também tem o nome cotado para o Executivo. No segundo mandato na Câmara Federal, Ducci não chegou ao segundo turno quando tentou a reeleição em 2012, vencida por Fruet.

Enfraquecido após denúncias de corrupção envolvendo Richa e outros figurões da sigla, o PSDB não exclui a possibilidade de candidatura própria à prefeitura com Edson Lau, presidente do diretório do partido em Curitiba.

O ex-deputado federal João Arruda (MDB), sobrinho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, também deve entrar na disputa. Ele tentou ocupar a cadeira de governador em 2018, mas ficou em terceiro lugar, com 13% dos votos.

Derrotado na maior parte das eleições na capital –emplacou até hoje apenas uma vice-prefeitura na gestão de Fruet (2012-2016)–, o PT escolheu como pré-candidato o professor de direito do trabalho na Universidade Federal do Paraná Paulo Opuszka. Já o PSOL optou pelo nome de Diego Xavier, primeiro postulante assumidamente gay a disputar a prefeitura na história de Curitiba.