Com 59% dos votos, a reeleição de Rafael Greca (DEM) à Prefeitura de Curitiba teve um ator fundamental na articulação política em 2020: o vice da chapa, Eduardo Pimentel. De desconhecido em 2016, Pimentel se tornou uma liderança importante nos corredores do Centro Cívico. Com um movimento de entrada no PSD ocorrido no mês de abril, ele aproximou o governador Ratinho Júnior de Greca e sedimentou o caminho vitorioso nas urnas.

Foto: SMCS

Formado em Administração, Pimentel tem pós-graduação em Agronegócios. Como consta em seu perfil no portal da prefeitura, ele iniciou na vida pública como diretor de marketing da Fundação Cultural de Curitiba. Em 2011, foi convidado para ser diretor da Ceasa (Centrais de Abastecimento do Paraná). Atuou também como subchefe da Casa Civil do Governo do Paraná e assessor especial do gabinete do governador, antes decidir se juntar a Greca e disputar o pleito de 2016.

Neto do ex-governador Paulo Pimentel, o vice-prefeito de Curitiba já caminha com as próprias pernas na política, mas destaca de forma bastante orgulhosa da atuação do avô.

Aos 35 anos, Pimentel se diz pronto para voos mais altos. Confira a entrevista completa:

Banda B: Como o senhor recebeu o resultado das urnas? Curitiba deu um carimbo de aprovação para a gestão?

Eduardo Pimentel: Eu acredito que o grande motivo para isso foi a demonstração de um trabalho muito forte na cidade toda ao longo dos quatro anos. Não foi só numa questão de investimento em obras, mas na saúde, na educação, na revitalização de parques, no cuidado da cidade: iluminação renovada, cidade limpa. O cuidado com a pandemia desde o início do ano. Então acredito que tudo isso o curitibano gostou e viu nossa dedicação e graças a Deus deu certo com a reeleição.

Banda B: Qual foi a importância do senhor para a composição da chapa com o prefeito Rafael Greca? Era o melhor caminho?

Eduardo Pimentel: Eu acredito que sim. O que eu sempre defendi? A paz política na cidade. Isso é uma construção feita pelo prefeito, pelo governador, pelos três senadores. Na época eu defendia que era importante uma composição do PSD com o Democratas e por isso a minha mudança, que foi arriscada, já que o partido tinha outros quadros. Eu assumi o risco, mas defendia desde o começo que o melhor seria a composição, já que teríamos um fortalecimento da candidatura do prefeito. Quem ganha com isso é Curitiba, porque vem mais investimentos, e foi o que aconteceu. Já que ninguém quer saber de briga política em um momento que é tão necessária a retomada econômica.

Eduardo Pimentel atua junto com Rafael Greca na Prefeitura (Foto: SMCS)

Banda B: Vice-prefeito, a gente percebe uma mudança de postura do senhor entre as eleições de 2016 e 2020. Em qual momento o senhor achou importante estar mais presente na articulação política?

Eduardo Pimentel: Toda composição de chapa demanda um projeto político grande. Eu sabia que precisava me movimentar politicamente para estar no grupo do governador, do qual sempre tive uma amizade grande. Eu sempre defendi esse caminho de alinhamento entre a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado, mas no momento quero continuar sendo um vice atuante. Me preparei muito para continuar nesse cargo e me sinto preparado para mais uma vez ser um parceiro do prefeito Rafael Greca.

Banda B: Vice-prefeito, como é a sua relação com o prefeito Rafael Greca, com o governador Ratinho Junior e como é a relação entre vocês três? O senhor se vê como uma figura pacificadora no Centro Cívico.

Eduardo Pimentel: Uma das minhas personalidades é agregar, eu gosto muito do diálogo e de fazer o acompanhamento das lideranças políticas. Foi isso que procurei fazer durante toda a pré-campanha, que era a tranquilidade do processo eleitoral e com a dura missão de trazer o partido do governador para o partido do prefeito. A minha relação com o prefeito é muito boa, de muito respeito, e foi assim nos quatro anos que se passaram. Fui secretário de obras por dois anos e entregamos todas as obras que estavam paradas, além de dar início a esse grande pacote que a cidade vive até hoje. Nós temos uma relação de complemento, ele com a experiência e eu com a minha juventude, com respeito muito grande. Por isso era nossa vontade de manter a chapa e eu quero me propor nesse segundo mandato ser um vice atuante novamente, não só na relação institucional entre os Poderes, mas na busca de investimento, como obras que fazem ligações importantes metropolitanas. Temos a Rodovia dos Minérios, quando chega na Matheus Leme, ou trincheiras na Linha Verde, que dependem do Governo do Estado. Já com relação ao governador Ratinho Junior, é excelente. Ele é mais jovem, com uma liderança forte e eu admiro o trabalho de vanguarda que ele faz.

Banda B: Se eventualmente daqui dois anos o prefeito Rafael Greca decidir concorrer a uma cadeira ao Senado ou, eventualmente, compor uma chapa com Ratinho Junior, o senhor estaria pronto para assumir a Prefeitura de Curitiba?

Eduardo Pimentel: É muito cedo para falar nisso, não há discussão nesse sentido, mas eu quero que a população saiba que me preparei para estar aqui e tenho me preparado. Sou formado em administração de empresas, tenho pós em agronegócio e no ano passado fiz uma especialização em cidades inteligentes na Fundação Getúlio Vargas. Tenho participado ativamente da administração da cidade. Eu me sinto preparado, claro, a vida é um permanente preparo, mas estou pronto para manter o trabalho de parceria e vamos trabalhar para ver o que acontece nos próximos anos. No momento, porém, estou focado em ser um vice-prefeito atuante, não só ajudando o prefeito, mas para trazer mais investimentos da cidade.

Banda B: Falando em 2024, o que você diria que Eduardo Pimentel quer para daqui quatro anos?

Eduardo Pimentel: Não é demagogia quando digo que é muito cedo para se pensar nisso, a reeleição acabou de acontecer e estou muito focado em ser um vice atuante. Claro que todo mundo tem o sonho de comandar uma cidade importante como Curitiba, tem muitos bons jogadores no tabuleiro eleitoral da cidade, mas antes disso precisamos mostrar bastante serviço. Me preparei bastante e quero ser um nome lembrado no futuro, mas isso depende do meu trabalho agora.

Banda B: Vice-prefeito, a gente sabe que vive um momento de carência na representatividade política. O senhor tem apontado como uma liderança, como vê tudo isso?

Eduardo Pimentel: Primeiro eu agradeço pela lembrança do meu nome sendo citado como pessoa nova e renovação política. É uma responsabilidade muito grande, porque Curitiba é uma cidade exemplo não só para o Brasil, mas mundialmente falando. Eu recebo tudo isso com tranquilidade, pé no chão e humildade. Minha vontade é continuar sendo um parceiro do Rafael Greca e eu acredito na política, na boa política, no trabalho de resultado, em uma política de pessoas preparadas. Eu vou defender essa tese e se continuar abrindo espaço, se continuar trabalhando, vou continuar trabalhando com respeito e transparência.

Banda B: O senhor recebe eventualmente um puxão de orelha, um conselho do seu avô?

Eduardo Pimentel: Primeiro, é uma alegria, eu tenho um tremendo orgulho de ser neto do Paulo Pimentel, de carregar seu sobrenome. Por onde eu ando na cidade, eu escuto pessoas que lembram do governo dele, seja como já eleitores, seja como estudantes, já que fez um investimento importante na educação. Isso para mim é motivo de orgulho e responsabilidade, mas por outro lado tenho trabalhado na minha história. Acredito que tenho conseguido fazer isso, então fico feliz, mas quero ser lembrado por isso.

Banda B: Vice-prefeito, a gente sabe que está em um momento difícil por causa da pandemia do coronavírus. É o principal desafio deste reinício de gestão, certo?

Eduardo Pimentel: É um trabalho que continua permanente e atenção total. Acredito que tivemos êxito, já que não faltou UTI ou atendimento para ninguém nesses sete meses. Mas, nos últimos dias, aconteceu esse aumento forte dos casos ativos. Ninguém da gestão quer fechar qualquer área, queremos que o comércio permaneça aberto na cidade. Mas precisamos que a população use máscara o tempo todo, faça uso do álcool em gel, pratique o distanciamento, para que tenhamos controle da curva e ela passe a cair. Vamos conviver com o vírus até chegar uma vacina, mas como não tem, precisamos do cuidado para que não precisemos fazer qualquer restrição de atividade econômica. O ano que vem será muito importante para a retomada e estamos trabalhando muito para ter um comércio forte, um turismo e o aquecimento seja importante.