O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez nesta sexta-feira (27) duros ataques ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e insinuou que ele pode ser responsabilizado por mortes causadas pelo coronavírus após fazer campanha que incentiva população a romper o isolamento.

“Cabe perguntar: quem será o fiador das mortes? Aquele que autorizou essa campanha? Aquele que idealizou a campanha? Aquele defende uma campanha para as pessoas irem às ruas? Aquele que foi às ruas quando a orientação já era se resguarde? Aquele que identifica a mais grave crise de saúde da história da humanidade como uma gripezinha? Quem será o fiador das mortes no Brasil?”, disse Doria.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) seguiu na mesma linha e fez menção a afirmação do presidente de que governadores e prefeitos poderiam ser responsabilizado pelo fechamento de estabelecimentos, citando artigo da CLT. “Embora a gente veja muitos políticos preocupados com artigo da CLT que trata de responsabilização, nossa preocupação aqui é com o artigo 121 do código penal, de não ser responsabilizado por nenhum homicídio”.

Em um evento no hospital de campanha do estádio do Pacaembu, Doria e Covas tiveram discurso afinado condenando a campanha do governo incentivando a população a não parar durante a crise do coronavírus, classificada como desinformação e irresponsável. Durante o evento, um pequeno grupo xingava Doria e protestava pela abertura do comércio.

Doria, que fez um boletim de ocorrência por ameaça, afirmou que ter recebido centenas de mensagens no WhatsApp e telefonemas, com ataques que, segundo ele, foram coordenados pelo chamado “gabinete do ódio”. Segundo ele, houve ameaças de invasões à casa dele.

O tucano afirmou estar monitorando todos os telefonemas e mensagens. “Aproveitar para dizer também para bolsominions, bolsonaristas, ameaçadores, agressores como esses que estão aí fora gritando, que eu não tenho medo de cara feia. Não tenho medo de bolsominions, zero um, zero dois, zero três, zero quatro. Não tenho medo de Bolsonaro”, disse.

 

 

Doria atacou fortemente a campanha do presidente. “Mais de 50 países estão em quarentena. O mundo inteiro está errado e o único certo é o presidente Jair Bolsonaro?”, disse Doria.

Na peça bolsonarista, categorias como a dos autônomos e mesmo a dos profissionais da saúde são mostradas como desejosas de voltar ao regime normal de trabalho. “O Brasil não pode parar”, encerra cada trecho do vídeo, inclusive para os “brasileiros contaminados pelo coronavírus”.

O governador afirmou que os R$ 4,8 milhões gastos na campanha deveriam ser gastos no combate ao coronavírus, como comprando insumos médicos. “O Brasil pode parar para lamentar a irresponsabilidade de alguns”, disse Doria.
Durante o evento no Pacaembu, Doria também afirmou que repassaria R$ 50 milhões para a prefeitura custear os hospitais de campanha.

A coletiva foi dada no estádio do Pacaembu, que foi preparado para virar um hospital de campanha, com 200 leitos, voltados a atender pacientes com coronavírus.

O local será administrado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Além deste hospital de campanha, haverá outro com mais 1.800 vagas no complexo do Anhembi.

​Durante a vistoria de Covas e Doria no local, houve grande aglomeração de jornalistas em área fechada, gerando apreensão entre os profissionais. Apesar das medidas restritivas no estado, Doria tem feito coletivas diárias, com presença de jornalistas. Há a opção, porém, de opção de fazer perguntas online.