Dilma admite que demorou a perceber a gravidade da situação econômica do país


Dos Jornais O Globo e Folha de São Paulo

A presidente Dilma Rousseff admitiu nesta segunda-feira que “talvez” ela e a equipe econômica tenham cometido o erro de demorar a perceber o tamanho da crise. Dilma admitiu que “talvez” fosse o caso de ter adotado medidas corretivas ainda no ano passado, inclusive antes das eleições. Ela relatou que o governo levou muitos sustos, pois nunca previu uma queda tão brutal da arrecadação. Mesmo assim, a presidente defendeu as políticas adotadas ano passado, no período eleitoral.

— Errei em ter demorado tanto para perceber que a situação era mais grave do que imaginávamos. Talvez, tivéssemos que ter começado a fazer uma inflexão antes. Não dava para saber ainda em agosto. Não tinha indício de uma coisa dessa envergadura. Talvez setembro, outubro, novembro — disse Dilma em entrevista ao GLOBO e aos jornais “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S. Paulo”

Dilma em entrevista à Folha, O Globo e Estadão

Economia

Sobre a economia internacional, Dilma disse que “o futuro é imprevisível”. As dificuldades, segundo ela, não ficarão restritas aos exportadores de commodities para a China, pois também afetam os países que exportam máquinas e equipamentos para aquele país. A política de industrialização da China foi acelerada, e todos os países estão perdendo arrecadação.

“Nos preocupamos imensamente com duas coisas. Primeiro é a queda no emprego. Segundo é a inflação”, disse, afirmando que o efeito da desaceleração da China afetará o mundo todo. “Você terá um efeito China bastante acelerado. Todo mundo pensa que é só commodities. Não é só.”

Lava-Jato

Em relação à Operação Lava-Jato, Dilma declarou que não esperava que petistas e pessoas próximas ao partido estivessem envolvidas no escândalo de corrupção na Petrobras. Ela afirmou que foi pega de surpresa com o escândalo, e que lamenta o que aconteceu. O GLOBO perguntou se Dilma imaginava anteriormente que militantes ou pessoas ligadas ao PT estivessem envolvidas no escândalo da Petrobras:

— Não! — reagiu a presidente.

Questionada se fora completamente surpreendida, confirmou:

— Fui! E lamento profundamente! Posso falar uma coisa. Sou a favor de uma coisa que o Márcio Thomaz Bastos (ex-ministro da Justiça, morto ano passado) dizia. Não esperem que sejam as pessoas a fonte da virtude. Tem que ser as instituições. As instituições é que têm de ter mecanismo de controle. É muito difícil. Integra a corrupção o fato de ela ser escondida, clandestina e obscura.

Reforma administrativa

A presidente previu dificuldades políticas para mexer em redutos ocupados por aliados, mas disse que ninguém será preservado dos cortes, nem mesmo seu partido, o PT. “Vamos passar todos os ministérios a limpo”, disse ela.  Nesta segunda, disse que o objetivo principal não é arrecadar mais. “Quero tornar eficiente o gasto. E tenho, ao mesmo tempo, de fazer a composição política”, disse. Afirmou que tinha “urgências maiores”, como o ajuste fiscal, e que, por isso, não tomou a medida antes. “Ninguém consegue brigar em todas as frentes.”

Impeachment

Dilma não quis responder sobre os pedidos de impeachment, feitos pela oposição, ou sua renúncia, sugerida pelo ex-¬presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não vou falar”, afirmou. “Não é fácil, né? Não é uma sugestão fácil.”

Lula

Dilma defendeu o ex¬-presidente Lula, seu antecessor e padrinho político. “Não acho correto o que fazem com ele. Quero manifestar em alto e bom som que não concordo”, disse. “Acho que tentam diminuí¬-lo, que tentam envolvê¬-lo. Não acredito que em algum momento no futuro dê certo. Eu acho que é uma coisa triste de ver isso sendo feito. Passam de todos os limites.”

Para ter acesso a entrevista na reportagem completa do Jornal O Globo, clique aqui

A entrevista completa da Folha está aqui

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