A diretora do centro de políticas públicas da FGV, Claudia Costin, diz que vê esforços das redes públicas do País para a educação a distância durante a pandemia, mas que as dificuldades são bem maiores do que nas escolas particulares. “Há uma complexidade tremenda de logística porque são milhões de alunos, há leis que não deixam as coisas muito ágeis”, afirma Claudia.

De qualquer forma, ela complementa, as estratégias criadas pelas redes são para tentar diminuir a desigualdade, que vai aumentar de qualquer jeito. “As soluções não são para garantir a aprendizagem, são para mitigar danos”, afirma Claudia.

O secretário municipal de Educação de São Paulo, Bruno Caetano, reconhece que o maior esforço deve ser feito na volta às aulas. “A gente sabe que o mais importante vai ser na hora em que pudermos receber as crianças de volta na escola, para recuperar o tempo perdido”, diz. “É impossível substituir o ambiente de sala de aula.”

Ele diz que a secretaria fez um mutirão para atualizar os endereços das famílias e poder enviar o material de estudo remoto. O que ainda não chegou às casas vai ser direcionado às escolas para ser buscado pelas famílias. Segundo a Prefeitura, foram impressos 1 milhão de livros e cerca de 780 mil já foram enviados pelos Correios.

O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, afirma que, na volta às aulas, além do diagnóstico do que os alunos aprenderam, será preciso fazer “a maior busca ativa da história de São Paulo” para que não aumente muito a evasão. Sobre as críticas, diz que a plataforma do Estado está sendo aprimorada.

Mesmo planejando como será a volta às aulas, nenhum dos dois secretários tem previsão de quando isso vai acontecer. “Queremos voltar, estamos fazendo protocolos de aulas com revezamento de alunos, para não haver aglomeração, mas a data será ditada pela Saúde”, afirma Rossieli.