O deputado estadual Tito Barichello (União) negou, em entrevista concedida à Banda B na tarde deste sábado (23), que o cumprimento do mandado de prisão na casa de Cláudio Talamini seja irregular. Segundo ele, houve um entendimento pessoal de que a ação seria urgente, o que o fez ir até o bairro Bacacheri, em Curitiba, mesmo sem autorização da Polícia Civil (PC). Em nota, a Corregedoria da PC confirmou que abriu investigação contra o delegado licenciado.

Vídeo postado pelo deputado nas redes sociais

De acordo com o deputado, ele e o advogado Igor José Ogar frequentam a mesma igreja evangélica, no bairro Xaxim. Teria sido o bispo do espaço religioso quem teria pedido intervenção e apoio.

“Como deputado e delegado de polícia, que continuo sendo, meu trabalho, além de legislar, é acompanhar e defender a sociedade, jamais vou me furtar disso. Todos sabem que, enquanto delegado, eu era operacional e jamais vou deixar de agir”, afirmou.

Vídeo postado nas redes sociais de Barichello apontam que ele e a esposa, Tathiana Guzella, procuravam por suposto mandante de homicídio contra Ogar. O deputado utilizava colete com menção à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e fuzil. O mandado de prisão, porém, aponta que Talamini estaria com ordem aberta pela Lei Maria da Penha, por descumprir medida protetiva contra a esposa.

O deputado afirma que, em ocasiões anteriores, acionou as forças policiais para agir, mas que se necessário, iria até o local mais uma vez.

“Fiz e faria de novo. Tem muita gente hipócrita, que não faz nada, mas quando uma mulher morre fica discursando. Esses são os primeiros a soltar os criminosos e dizer que criminoso tem direito. São eles também que esquecem das vítimas, mas eu não, eu estou preocupado com a vítima”, garantiu.

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Tito Barichello e Tathiana Guzella falaram com a Banda B

Sobre a legalidade da ação, o deputado cita o Artigo 301 do Código de Processo Penal (CPP), que diz:

“Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.”

No entendimento de Barichello, ele é obrigado a agir.

“Eu acredito que haja conotação política levar isso para um ponto negativo, eu agi e vou continuar agindo. Seria muito mais fácil para mim estar às 17h30 brincando com meu filho, ir a um restaurante com minha esposa, mas é um ônus que mas não vou deixar de fazer. Havia um plano sórdido de homicídio, em que o sicário esteve no escritório do advogado [Ogar]”, concluiu.

Afastados

Além dele, que está afastado da Polícia Civil desde as eleições de 2022, quem também esteve na ação foi a esposa dele, Tathiana Guzella. Ela atualmente consta no Portal da Transparência como secretária parlamentar no gabinete do deputado federal Felipe Francischini (União).

De acordo com Guzella, ela já “cansou de atender” pedidos de socorro que chegaram pelas redes sociais.

“Nem eu, nem o Tito, presidimos nenhuma investigação, porque somos impedidos, mas nós não deixamos de ser policiais. Dá para deixar um juramento quando você pega uma insígnia? Se fosse qualquer situação de crime, nós teríamos a obrigação de agir, porque o vínculo só termina com a aposentadoria”, disse.

Investigação

A Corregedoria da Polícia Civil (PCPR) apura possíveis irregularidades na atuação de Barichello.

De acordo com a Polícia Civil, Barichello está em licença para exercício de mandato parlamentar e Tathiana à disposição de outro órgão, portanto “não atuam em nome da PCPR”. Segundo a corporação, nenhuma das “operações” realizadas era de conhecimento ou possuía a anuência da Polícia Civil.

“Os fatos já foram comunicados à Corregedoria para verificação da existência de irregularidades”, informou em nota.

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Deputado Tito Barichello nega que ação seja irregular e diz que agiu nos limites da lei: “Fiz e faria de novo”

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