A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), que a arma de fogo apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) pertence ao ex-chefe do Executivo.

Escultura de granito "A Justiça" sentada em frente ao Palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, sob um céu azul com poucas nuvens.
Defesa de Jair Bolsonaro confirma ao STF que a arma apreendida em blitz pertence a ele. Foto: reprodução/STF

A manifestação foi enviada após o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, determinar que os advogados esclarecessem as circunstâncias da apreensão do armamento.

Segundo a defesa, a pistola está regularmente registrada em nome de Bolsonaro e tem Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf). Os advogados afirmam que o ex-presidente solicitou ao segundo-sargento do Exército, Estácio Leite da Silva Filho, integrante de sua equipe de segurança particular, que levasse a arma para manutenção após identificar um problema mecânico.

De acordo com o documento encaminhado ao STF, Bolsonaro percebeu que o armamento não funcionava adequadamente.

“Recentemente, o peticionário constatou, pelo simples acionamento do ferrolho, sem qualquer necessidade de disparo, que o mecanismo não estava funcionando regularmente

informaram os advogados.

A defesa também argumentou que a posse da arma não tem relação com a condenação do ex-presidente na ação penal que apurou a tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos de prisão no processo.

Os advogados destacaram que, apesar da condenação, não houve determinação judicial para entrega de armas ou cancelamento de registros.

“Consigna-se, ainda, que, apesar da condenação imposta na AP 2668, não foi determinada a entrega de armas, o cancelamento de registros ou qualquer providência semelhante. O peticionário, portanto, não se encontrava em situação irregular”

sustentou a defesa.

Arma de Bolsonaro foi apreendida em blitz

A pistola foi apreendida por volta das 23h30 de segunda-feira (15), durante uma operação realizada no Pistão Norte, em Taguatinga, no Distrito Federal.

O armamento estava em um Honda Civic conduzido por um homem que se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). Durante a abordagem, ele informou aos policiais que a arma pertencia a Bolsonaro.

Além da pistola Glock calibre 9 milímetros, os agentes encontraram um carregador sobressalente no veículo. O motorista foi levado a uma delegacia para prestar esclarecimentos.

Em depoimento, ele afirmou que havia retirado a arma da posse do ex-presidente no mesmo dia para encaminhá-la a reparos devido a uma pane mecânica e que pretendia devolvê-la no dia seguinte.

Defesa cita episódio da tornozeleira

No documento enviado ao STF, a defesa também afirmou que a arma já havia sido tornada inoperante pela equipe de segurança do ex-presidente após o episódio que envolve o rompimento da tornozeleira eletrônica no ano passado.

Segundo os advogados, devido ao uso de medicamentos psiquiátricos que poderiam afetar a cognição de Bolsonaro, integrantes da equipe retiraram o percussor da pistola sem o conhecimento dele.

“Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao peticionário, capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”

concluiu a defesa.

Polícia Civil investiga o caso

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da apreensão da arma.

Em comunicado enviado ao STF, o delegado responsável informou ao ministro Alexandre de Moraes que a 17ª Delegacia de Polícia está na condução das diligências necessárias para esclarecer o caso.

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