COP-30 será o marco para o Brasil implementar a transição energética e combater o desmatamento, diz Marina Silva à Banda B

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima reunirá líderes mundiais em Belém (PA), em novembro

Guilherme Lara da Rosa e Antônio Nascimento

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou nesta quarta-feira (19) a importância da COP-30 para o Brasil, que acontecerá em novembro de 2025. Para a ministra, o evento será um marco na implementação da transição energética do país e no combate ao desmatamento, sendo crucial para o enfrentamento da mudança climática e para o futuro econômico do Brasil. As declarações foram feitas durante o programa “Bom Dia, Ministra”, que contou com a participação da Banda B, única rádio do Sul a integrar a transmissão.

Ao ser questionada pelo jornalista Antônio Nascimento, da Banda B, sobre o que espera da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima — que reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações para combater as mudanças do clima — Marina Silva sublinhou que a COP-30 não é apenas uma oportunidade de diálogo, mas um ponto decisivo para que as promessas de ação climática se tornem realidade.

Ministra Marina Silva participa do seminário “Fortalecimento dos Meios de Subsistência Rurais e da Conservação Ambiental por Meio da Proteção Social” – Foto: Rogério Cassimiro/MMA

“A gente espera sair dessa conferência com a decisão firme de implementar tudo aquilo que nós já decidimos que precisa ser feito ao longo desses 33 anos. São 33 anos debatendo. Agora, só tem um caminho: implementar

ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva

Marina também enfatizou que, além das discussões sobre os impactos ambientais, a conferência terá um enfoque estratégico em como a economia brasileira pode se beneficiar de um modelo sustentável. “Quando você fala em fim de desmatamento, você tem que entender que isso é um grande investimento. É investir num processo de eletrificação da frota de veículos dos nossos países, e hoje já temos tecnologia. O Brasil é um país que tem energia limpa. Estamos investindo na agricultura de baixo carbono, na ampliação da nossa capacidade de produzir alimentos e de o Brasil ser o grande provedor de energia para o mundo”, acrescentou.

De acordo com a titular da pasta do Meio Ambiente, “cerca de 40% do PIB dos países dependem dos serviços ecossistêmicos, e na América do Sul, 75% do PIB depende desses serviços, como a regulação do clima, as chuvas e a polinização. Para ela, a preservação da natureza e o enfrentamento da desertificação são ações estratégicas para garantir um futuro próspero para o Brasil e para o mundo.

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se reúne com deputados para a construção da agenda da COP-30 – Foto: Rogério Cassimiro/MMA

A COP-30, que acontecerá em Belém (PA), será um evento de grande importância para definir as metas globais de redução de emissão de gases de efeito estufa, com o Brasil já comprometido em reduzir suas emissões de 59% a 67%. A ministra acredita que o momento da COP será para avançar na implementação dessas metas, que já estão alinhadas, mas que precisam ser traduzidas em ações concretas, especialmente em relação ao fim do desmatamento e ao uso de combustíveis fósseis.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que os alertas de desmatamento na Amazônia atingiram o menor índice para o mês de fevereiro. Em 2025, foram registrados 80,95 km² de desmatamento, o que representa uma redução de 64,26% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram detectados 226,51 km² de áreas desmatadas.

Marina Silva também mencionou os desafios impostos por cortes orçamentários, como os recentes US$ 4 bilhões retirados do fundo climático pelos Estados Unidos, o que, segundo ela, prejudica as ações globais contra a mudança climática. “Ele [Donald Trump] tem a caneta, isso cria um prejuízo, mas neste momento tem que ter uma atitude de resistência. Os estados que são governados por democratas vão continuar com a agenda de ação climática. Os empresários que não querem voltar para o início do século 20, com uma economia de rapina, vão manter os investimentos climáticos”, explicou a ministra.

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