A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou nesta quarta-feira (19) a importância da COP-30 para o Brasil, que acontecerá em novembro de 2025. Para a ministra, o evento será um marco na implementação da transição energética do país e no combate ao desmatamento, sendo crucial para o enfrentamento da mudança climática e para o futuro econômico do Brasil. As declarações foram feitas durante o programa “Bom Dia, Ministra”, que contou com a participação da Banda B, única rádio do Sul a integrar a transmissão.
Ao ser questionada pelo jornalista Antônio Nascimento, da Banda B, sobre o que espera da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima — que reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações para combater as mudanças do clima — Marina Silva sublinhou que a COP-30 não é apenas uma oportunidade de diálogo, mas um ponto decisivo para que as promessas de ação climática se tornem realidade.
“A gente espera sair dessa conferência com a decisão firme de implementar tudo aquilo que nós já decidimos que precisa ser feito ao longo desses 33 anos. São 33 anos debatendo. Agora, só tem um caminho: implementar”
ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva
Marina também enfatizou que, além das discussões sobre os impactos ambientais, a conferência terá um enfoque estratégico em como a economia brasileira pode se beneficiar de um modelo sustentável. “Quando você fala em fim de desmatamento, você tem que entender que isso é um grande investimento. É investir num processo de eletrificação da frota de veículos dos nossos países, e hoje já temos tecnologia. O Brasil é um país que tem energia limpa. Estamos investindo na agricultura de baixo carbono, na ampliação da nossa capacidade de produzir alimentos e de o Brasil ser o grande provedor de energia para o mundo”, acrescentou.
De acordo com a titular da pasta do Meio Ambiente, “cerca de 40% do PIB dos países dependem dos serviços ecossistêmicos, e na América do Sul, 75% do PIB depende desses serviços, como a regulação do clima, as chuvas e a polinização. Para ela, a preservação da natureza e o enfrentamento da desertificação são ações estratégicas para garantir um futuro próspero para o Brasil e para o mundo.
A COP-30, que acontecerá em Belém (PA), será um evento de grande importância para definir as metas globais de redução de emissão de gases de efeito estufa, com o Brasil já comprometido em reduzir suas emissões de 59% a 67%. A ministra acredita que o momento da COP será para avançar na implementação dessas metas, que já estão alinhadas, mas que precisam ser traduzidas em ações concretas, especialmente em relação ao fim do desmatamento e ao uso de combustíveis fósseis.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que os alertas de desmatamento na Amazônia atingiram o menor índice para o mês de fevereiro. Em 2025, foram registrados 80,95 km² de desmatamento, o que representa uma redução de 64,26% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram detectados 226,51 km² de áreas desmatadas.
Marina Silva também mencionou os desafios impostos por cortes orçamentários, como os recentes US$ 4 bilhões retirados do fundo climático pelos Estados Unidos, o que, segundo ela, prejudica as ações globais contra a mudança climática. “Ele [Donald Trump] tem a caneta, isso cria um prejuízo, mas neste momento tem que ter uma atitude de resistência. Os estados que são governados por democratas vão continuar com a agenda de ação climática. Os empresários que não querem voltar para o início do século 20, com uma economia de rapina, vão manter os investimentos climáticos”, explicou a ministra.