O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Paraná aprovou nesta segunda-feira (11) o parecer pela cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) pela briga de rua com um manobrista, ocorrida em novembro do ano passado no Centro de Curitiba.

Deputado Renato Freitas fala ao microfone e gesticula durante sessão na Assembleia Legislativa do Paraná
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa aprovou o parecer pela cassação do mandato do deputado Renato Freitas (PT) – Foto: Valdir Amaral/Assembleia Legislativa

O parecer do relator Márcio Pacheco (Progressistas) com a punição foi acatado com apenas um voto contrário, do deputado Doutor Antenor (PT). Este fez ainda um voto em separado, defendendo a aplicação de penas mais brandas a Freitas, mas que foi rejeitado pelos integrantes do Conselho de Ética.

Agora, a punição contra o petista vai ter recurso obrigatório para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vai analisar a regularidade do processo.

Caso seja validada, a decisão do Conselho de Ética irá para votação no plenário da Assembleia. Para que o mandato de Freitas seja cassado, há a necessidade de maioria absoluta de votos, ou seja, 28 parlamentares favoráveis – metade da Casa, que tem 54 deputados, mais um.

O processo se refere ao caso da briga de rua de Renato Freitas com um manobrista, em novembro de 2025 no Centro de Curitiba. Imagens que circularam nas redes sociais mostram o parlamentar trocando agressões físicas em via pública.

Após a briga, o parlamentar foi alvo de inúmeros pedidos de cassação de mandato no Conselho de Ética, que foram agrupados e resultaram no relatório votado nesta segunda-feira.

Montagem mostra 3 diferentes momentos de uma briga de rua envolvendo o deputado estadual Renato Freitas em Curitiba
Briga de rua entre Renato Freitas e um manobrista ocorreu em novembro de 2025, no Centro de Curitiba – Foto: Reprodução

O que Renato Freitas alega em sua defesa?

Em depoimento ao Conselho de Ética, o Renato Freitas se defendeu, dizendo que sua reação física não foi um ato gratuito de violência, nas um instinto de defesa diante da agressividade do manobrista e da vulnerabilidade de sua companheira, que estava grávida à época.

Em resposta a um questionamento, sobre se sua reação era adeqada a postura esperada de um deputado, Freitas disse que o “não enfrentamento pode custar muito caro”, afirmando que não aceitaria ser humilhado ou ver sua família em risco e não reagir.

O deputado ainda disse que o manobrista com quem brigou tem histórico de passagens pela polícia, por “intimidar pessoas utilizando simulacro de arma de fogo”.

O que alegou o relator no pedido de cassação do mandato de Renato Freitas?

Márcio Pacheco afirmou que três coisas justificam seu pedido de cassação do mandato de Freitas. A primeira é a ocorrência de “vias de fato” no exercício do mandato. O segundo motivo é o entendimento de que o procedimento afeta a dignidade da representação popular. Já o último é o fato de que o comportamento é incompatível com o decoro parlamentar e atenta contra as instituições.

Além disso, ele mencionou regras do regimento interno da Assembleia e casos semelhantes julgados anteriormente que resultaram na cassação do mandato de outros parlamentares.

O parlamentar carrega em sua pessoa o símbolo do Estado e sua condição pública e privada não são separáveis quando a segunda compromete a primeira. Um cidadão comum que se envolve em briga de trânsito expõe apenas a si mesmo. Um deputado estadual que se envolve na mesma briga expõe também a Assembleia Legislativa, o poder legislativo do Estado e o eleitorado que o elegeu.

afirmou o deputado na leitura do relatório

No relatório, Pacheco rejeitou a tese de legítima defesa apresentada pela defesa do parlamentar. “Evidente está que se o deputado Renato Freitas não quisesse, aquele nefasto confronto não teria ocorrido“, disse o relator.

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