O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (3) que o enfrentamento ao crime não se faz com frases de efeito ou espetáculos, mas com sabedoria e responsabilidade. A declaração foi dada em discurso durante a celebração dos 80 anos da instituição.

“A espetacularização de ações, a personalização de operações, os desvios e iniciativas, com motivações políticas e as imotivadas e constantes mudanças dos gestores e investigadores e a desvalorização dos servidores não se amoldam a uma polícia de Estado. Nosso desafio permanente é para que este passado recente e sombrio jamais retorne”, disse.

Nesse sentido, Andrei disse ainda ser de crucial importância trabalhar com apoio institucional do Ministério da Justiça e da Presidência da República.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 

“As dificuldades e adversidades são muitas, mas transponíveis quando temos a segurança de podermos fazer nosso trabalho de forma correta e convicta e podermos passar a mesma segurança para as nossas equipes”, afirmou.

Aguardado no evento, o presidente Lula (PT) cancelou sua participação de última hora.

O diretor da PF disse que a comemoração dos 80 anos, mais que uma data meramente comemorativa, representa um marco no processo de transformação institucional iniciado em 2023.

O projeto tem, dentre outros alvos, a modernização da governança e o aumento da transparência e do controle social nas atividades, o avanço rumo à equidade, à inclusão e à diversidade de gênero, de raça e de orientação sexual e a ampliação das ações e das estratégias de cooperação internacional com foco em temas prioritários para o governo como a questão ambiental e os crimes praticados pelo uso da internet.

“Nunca a firmeza, a lisura e a transparência das ações da Polícia Federal e das demais instituições democráticas foram tão importantes como nesses tempos em que há método na disseminação em massa de mentiras”, acrescentou Rodrigues.

Na presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), Rodrigues citou ainda a elucidação do caso Marielle Franco (PSOL-RJ) e Anderson Gomes como exemplo do trabalho da PF. Esta foi, segundo ele, uma das prioridades assumidas para a gestão.

Em 24 de março, o deputado federal Chiquinho Brazão (ex-União Brasil-RJ) e o seu irmão, o ex-conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio Domingos Brazão, e o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil no Rio, foram presos e a operação foi tratada na corporação como uma grande conquista, já que o caso havia sido finalizado sem chegar a mandantes.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também ressaltou as prisões dos suspeitos de serem mandantes do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

“A recente elucidação dos hediondos, odiosos assassinatos de Marielle Franco e de Anderson Gomes trouxeram as respostas longamente esperadas pela sociedade brasileira que há anos demandava justiça com relação a esses casos”, disse.

Além disso, ele citou as investigações da PF sobre a trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023. Para Lewandowski, o trabalho da corporação dos casos como o de Marielle e o da tentativa de golpe mostra que a sociedade pode confiar nas instituições e no Estado brasileiro.

“Em um país em que determinados setores ainda persistem em flertar com o espectro do autoritarismo, a exemplo dos altamente reprováveis acontecimentos que culminaram nos atos de 8 de janeiro de 2023, esse compromisso da instituição ficou evidenciado com as sucessivas diligências desencadeadas no âmbito da operação Lesa Pátria, que tem descortinado toda a complexa trama de eventos que pretendia levar o país de volta aos tempos ou as trevas do autoritarismo”, afirmou o ministro.

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Chefe da PF diz esperar que passado ‘recente e sombrio’ da corporação jamais retorne

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