Foto: Divulgação CMC

 

A Câmara Municipal de Curitiba rejeitou, nesta segunda-feira (3), o requerimento que pedia urgência na discussão envolvendo a bilhetagem eletrônica em todo o sistema de transporte coletivo. O requerimento era um pedido do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), que entende que os cobradores precisavam de uma resposta definitiva ainda em 2018. A categoria teme demissões em massa com a implementação da bilhetagem e diz ter apoio da maioria dos vereadores para que a proposta não seja aprovada.

Autor do requerimento, o vereador Rogério Campos (PSC) disse que 22 vereadores já se posicionaram contra a aprovação do projeto, mas a Prefeitura de Curitiba se mobilizou para que a discussão ficasse para 2019. “Eu não entendo. A Prefeitura de Curitiba envia propostas com regime de urgência e todo mundo vota, mas agora que temos um projeto que está tirando o sono dos cobradores, eles não querem. Nós não sabemos o que vai acontecer até o ano que vem. Nosso receio é que vários desses vereadores são da base de apoio do governo e o que vai acontecer? Vão chamar, vão conversar, o que vai acontecer”, questionou.

Dos 34 vereadores presentes na sessão, 18 foram contrários à urgência. Sem o requerimento, o projeto vai passar por várias comissões da Casa antes de ser encaminhado ao plenário.

Para o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, o projeto é uma “faca no pescoço” do trabalhador do transporte coletivo. “Nós temos uma convenção coletiva que garante estabilidade até 1º de maio e nosso objetivo é renovar. Mas, com uma lei dizendo que a bilhetagem é exclusiva, os empresários não vão querer renovar a cláusula. A gente precisa reprovar o projeto para que os trabalhadores possam continuar levando o sustento para casa”, disse.

Tecnologia

Nenhum dos vereadores que subiram à tribuna depois de Campos defenderam abertamente o projeto, mas argumentaram que o avanço da tecnologia precisa ser considerado. Para Thiago Ferro (PSDB), o debate por mais tempo é benéfico para a categoria. “Estamos todos com o Rogério [Campos, vereador] e com os trabalhadores e é por isso que precisamos ter bastante serenidade na análise do projeto. Existem capitais que aprovaram a bilhetagem [eletrônica]. Assim como existem outras cidades que não acolheram. O tema precisa ser debatido com muita calma, com muita tranquilidade”, comentou.

Projeto

O projeto encaminhado à Câmara Municipal prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus, onde não há cobrador. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus.

Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus. “Os dados demonstram que os cobradores são alvo de roubos e violência, bem como o patrimônio público acaba sendo objeto de vandalismo e depredações”, diz a proposta, concluindo que a alteração reduziu em mais de 90% dos assaltos em coletivos.

As empresas de ônibus defendem a medida e garantem que a proposta dá mais eficiência ao sistema e traz mais segurança, já que retira a circulação de dinheiro de dentro dos coletivos. As empresas ainda afirmam que os trabalhadores teriam uma estabilidade de 12 meses nos empregos e podem passar por cursos de qualificação, até mesmo para continuar trabalhando no transporte coletivo.