O presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, informou nesta terça-feira (9) que a instituição precisa de R$ 8,8 bilhões para compensar “possíveis perdas” que vieram por negócios feitos com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.

A informação foi dada por ele durante uma audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Segundo Souza, o valor será usado como “provisionamento” ou “capitalização” e vai servir como uma reserva necessária para preservar o fôlego financeiro da instituição, evitando a quebra do banco.
O valor necessário foi calculado após uma auditoria interna descobrir que, dos R$ 30 bilhões que o BRB comprou em títulos do Banco Master, ao menos R$ 8,8 bilhões podem estar perdidos. Deste valor, ao menos R$ 2,6 bilhões não têm lastro, ou seja, não há nenhuma garantia de que o banco estatal vai ser reembolsado.
Sobrevivência do BRB depende de aprovação de projeto de lei
Em fala aos senadores, o presidente do banco estatal afirmou que a sobrevivência da instituição depende da aprovação, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, de um projeto de lei.
A iniciativa vai permitir um esquema financeiro que inclui empréstimo do Governo do DF (principal acionista do BRB) ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Essa operação recebeu aval do Supremo Tribunal Federal (STF) no final de maio.
O restante do valor, para chegar aos R$ 8,8 bilhões, será feito com operações da dívida do Governo do DF, por meio da operação financeira estruturada com a participação do banco BTG Pactual.
“Este problema [envolvendo o Master] é muito maior e o BRB é a maior vítima”, disse o presidente da instituição, referindo-se ao fato de o Banco Master administrar cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais recolhidos por determinação de Tribunais de Justiça de quatro Estados (AL; BA; MA e PB) e do Distrito Federal.
“Se o BRB desaparecer, for liquidado ou mesmo for sancionado pelo Banco Central com um regime de administração extraordinária temporária, será um problema não só para Brasília, mas para todos os locais onde o banco está presente”
argumentou Nelson Antônio de Souza
O presidente do BRB garantiu que, com o provisionamento dos R$ 8,8 bilhões, o banco tem condições estruturais para seguir operando. “Hoje, ele já é mais saudável do que era em novembro, quando cheguei. Nunca deixou de cumprir uma obrigação e segue operando regularmente”, explicou aos senadores.
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