No smartphone, ele mostra fotos de lápides de túmulos com inscrições Bolsonaro, Bolçonaro e Borsonaro em cemitérios da região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

(Foto: Reprodução)

 

Ele é Marcos Borsonaro (PSL), 57, primo distante do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e candidato à Prefeitura de Jaboticabal (a 342 km de São Paulo), que repete em âmbito local a dobradinha que levou o parente mais famoso à Presidência da República.

Bolsonaro -nome que Borsonaro usa na campanha- escalou um militar como candidato a vice, o coronel da reserva da PM Luiz Antonio Artioli, 59, que terá papel na chapa como o do vice-presidente, general Hamilton Mourão, na disputa de 2018.

O Borsonaro de nascimento foi, segundo ele, um erro de cartório, que agora tenta corrigir para ficar igual ao do presidente e de parte da família.
O candidato à prefeitura disse que teve relação familiar normal no decorrer da campanha do presidente e que acredita que ele soube da sua candidatura em Jaboticabal. “Mas não conversamos a esse respeito.”

Dono de uma papelaria e dirigente de uma associação de farmácias da qual se licenciou, Marcos Bolsonaro estreia na política com um discurso anticorrupção.

Segundo ele, o partido lançou candidatura local, sem coligações, para implantar um novo modelo de política que se desvincule do sistema político desenvolvido historicamente no município. “Uma política contaminada com vícios de gestão, que não tem favorecido a cidade.”

Entre seus adversários, há coligações formadas por até sete partidos. O diretório do PSL acredita ter condições de obter um bom desempenho nas urnas amparado nos resultados do partido nas eleições de 2018. Bolsonaro, que disputou a eleição pelo partido, obteve 77% dos votos válidos da cidade no segundo turno daquele ano, ante 23% de Fernando Haddad (PT).

Para a Assembleia Legislativa, Janaina Paschoal (PSL) foi a mais bem votada, com 11% dos votos válidos, enquanto Eduardo Bolsonaro, do mesmo partido e filho do presidente, foi o terceiro na disputa à Câmara dos Deputados, com 8% dos votos válidos.

Para isso, a definição dos nomes ocorreu ainda em novembro do ano passado, a partir de um grupo que inclui empresários, militares, líderes religiosos e jovens, todos novatos na política, conforme ele. A chapa foi oficializada em convenção no início de setembro.

Marcos Bolsonaro afirma que a primeira medida, caso seja eleito, será fazer uma auditoria nas contas e contratos públicos para ter a noção exata da conjuntura da administração e que os principais problemas da cidade hoje são deficits na saúde, educação, segurança, transporte urbano e saneamento básico –falta d’água crônica.

“Existe [também] um problema crescente e preocupante relacionado à geração de empregos”, disse. Marcos Bolsonaro afirma torcer para o retorno do presidente ao partido pelo qual foi eleito há dois anos e que quer ser prefeito de Jaboticabal para mudar a estrutura e a maneira de fazer política.
“Me propus a capitanear essa missão juntamente com meu vice, seremos unidos no mesmo comungar de ideais, sem vaidades pessoais ou de posição”, disse.

Questionado pela Folha sobre a candidatura de Bolsonaro em Jaboticabal e o parentesco do presidente com o candidato, o Palácio do Planalto informou que não comentaria o assunto.

Em redes sociais, o presidente chegou a escrever que não participaria, no primeiro turno, das eleições para prefeitos no país. Mas já quebrou a promessa com apoios a diferentes candidatos pelo país.

Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal terá cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano.

Uma campanha que promete ser parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes.

Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros.

Os candidatos, e a própria dinâmica local, serão acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica.