O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quer indicar o general Eduardo Pazuello para assumir temporariamente como número 2 do Ministério da Saúde e montar uma equipe-tampão na pasta durante a pandemia do novo coronavírus, enquanto o ministro Nelson Teich seleciona seu time definitivo.

Pazuello, escolhido para ser o secretário-executivo da pasta no lugar de João Gabbardo, está escolhendo nomes militares e civis. Toda essa equipe deverá ser nomeada em conjunto na próxima semana. Bolsonaro e Pazuello se reuniram por cerca de uma hora e meia no fim da manhã desta terça-feira (21) no Hotel de Trânsito de Oficiais, no Setor Militar Urbano de Brasília.

O presidente ficou menos de cinco minutos ouvindo apoiadores na porta do Palácio da Alvorada e saiu justificando que tinha um compromisso. Não esperou nem a ambulância que sempre acompanha as comitivas presidenciais se integrar ao comboio.

De acordo com pessoas envolvidas nas conversas, a permanência do general no ministério é temporária e, terminada a missão, como os militares se referem ao caso, Pazuello volta a comandar a 12ª Região Militar.

A ideia de Bolsonaro ao fazer o convite ao general é dar tempo para Teich escolher com calma sua equipe. Enquanto isso, o general monta e ajuda a coordenar uma equipe de prontidão, que poderá ou não ficar no ministério, à escolha do chefe da pasta, substituto de Luiz Henrique Mandetta.

Foto: Marcos Corrêa/PR

Teich tomou posse na semana passada, logo após a demissão de Mandetta, alvo de um desgastante processo de fritura promovido pelo presidente, que discordava da linha seguida pelo então ministro no combate à pandemia de coronavírus.

Como vacina ao cenário de degradação econômica que deve se estender pelos próximos anos, Bolsonaro vem minimizando o impacto sanitário da pandemia e reforçado as consequências econômicas do fechamento do comércio como medida adotada para enfrentar a doença.

Após a reunião com Bolsonaro para discutir a estratégia de atuação das pessoas que Pazuello está selecionando, o general foi ao Ministério da Saúde para conversar com Teich.

O nome do general é bem aceito pelos ministros palacianos, que ressaltam sua experiência em logística em ações de emergência, comprovada, segundo eles, em papéis que desempenhou nas Forças Armadas, como na Operação Acolhida –administrada pelo Exército para a recepção de imigrantes venezuelanos–, que comandou entre março de 2018 e janeiro deste ano.

Em 2016, ele foi coordenador logístico das tropas do Exército que atuaram nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro.

A habilidade na área é apontada como essencial neste momento de pandemia em que é preciso habilidade na logística de distribuição de equipamentos e construção de hospitais de campanha, por exemplo.

Assim como Bolsonaro, o general de divisão Eduardo Pazuello passou pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende, Rio de Janeiro. Foi lá que, em 1984, formou-se como oficial de intendência, a área de logística do Exército. Em 2014, ascendeu ao posto de general-de-brigada e, em 2018, ao posto de general de divisão.

A indicação de Pazuello foi feita por ministros militares do governo, entre eles o general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Com isso, o Palácio do Planalto espera que a gestão da crise seja compartilhada entre a Saúde e outras pastas, com nomes de confiança de Bolsonaro.

A medida tem como objetivo evitar que a crise com Mandetta se repita no Ministério da Saúde. Bolsonaro ficou incomodado com a independência e com o protagonismo do ex-ministro à frente da crise.

O novo titular da pasta tem seguido à risca os pedidos do governo: não concedeu entrevistas, tem evitado a imprensa ao chegar e sair do ministério e, questionado por governadores sobre medidas de isolamento, evitou se comprometer sobre o tema.

Ao ser convidado para assumir a Saúde no governo Bolsonaro, Teich recebeu a missão de mostrar discrição e ação do governo federal. Na tentativa de alinhar ações, ele tem tido reuniões frequentes com representantes da comunicação do Planalto.

Assessores do presidente deixaram claro ao novo ministro os descontentamentos que o Planalto tinha em relação à gestão anterior.

Foi pedido a Teich que ele apresente um plano de ação diferenciado para cada estado e região do país. É esperado ainda que ele passe a mostrar que o governo federal é quem está agindo, transferindo equipamentos e leitos para os estados.