Por Daniel Weterman e Amanda Pupo

O presidente da República, Jair Bolsonaro, em discurso na Esplanada dos Ministérios durante ato convocado por ele para este 7 de setembro, disse que o Poder Judiciário “pode sofrer aquilo que não queremos”. Sem citar nomes ou exatamente o que seria feito, afirmou que existe um ministro específico “paralisando a nação”.

“Juramos respeitar a nossa Constituição. O ministro específico do STF perdeu as condições mínimas de continuar dentro daquele tribunal. Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica continue paralisando a nossa nação. Não podemos aceitar. Ou esse poder [Judiciário] pode sofrer aquilo que nos não queremos. Sabemos o valor de cada poder da República”, falou.

Bolsonaro em Brasília nesta terça-feira – 7 – reprodução

Bolsonaro também afirmou que o Executivo não aceitará mais as medidas impostas pelo por governadores e prefeitos, autorizados pelo Poder Judiciário. “Creio que o momento chegou”, afirmou ele, interrompido por gritos dos apoiadores.

“Alguns governadores e prefeitos simplesmente ignoraram dispositivos funcionais, como os incisos do artigo 5º da Constituição. Muitos foram obrigados a ficar em casa. Perderam o direito de ir e ver, do trabalho e de ir a um templo […]”, falou.

“Temos em nossa bandeira escrito ordem e progresso. Não queremos ruptura, não queremos brigar com poder nenhum. Não podemos admitir que uma pessoa coloque em risco a nossa liberdade. Eu jurei um dia, juntamente com o Mourão, dar a nossa vida pela pátria”, finalizou.

Multidão em Brasília – reprodução

O presidente também atribuiu para si um apoio divino e popular para evitar o que chamou de “sanha ditatorial” no Brasil. Esta declaração foi dada durante deslocamento para a manifestação do 7 de setembro, em Brasília.

Bolsonaro no 1º discurso do dia: “Não admito que outras pessoas joguem fora das quatro linhas”

O chefe do Planalto sobrevoou o local e depois andou em carro aberto até a concentração, na Esplanada dos Ministérios.

Durante o trajeto, Bolsonaro acenou para apoiadores. Para um grupo, chegou a gritar “Bora, p…”.