O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) defendeu a flexibilização da legislação relativa à posse de armas. Em entrevista à Rede Record, ele disse que a “arma de fogo garante a liberdade de um povo”.

“Queremos dar o porte definitivo à população. Não podemos criar mais um encargo para quem quer ter arma dentro de casa para defender sua família”, afirmou, argumentando que dois terços da população decidiu ter o direito de comprar armas e munições em referendo popular de 2005. “Então temos que respeitar a vontade popular”, complementou.

Durante a entrevista, Bolsonaro ainda defendeu a venda de estatais “no que não for função do Estado” e disse que muitas empresas do governo não dão resultado positivo porque são ocupadas por indicados políticos.

Bolsonaro em entrevista à TV Record – reprodução

Marcos Pontes como ministro

O presidente disse também que está “quase confirmado” o nome do coronel da Aeronáutica Marcos Pontes para assumir a pasta de Ciência e Tecnologia. Falta um “pequeno detalhe” para que seja confirmado, disse ele. Essa seria a quarta definição da equipe do próximo governo – além dele, já foram divulgados Paulo Guedes para a Fazenda; Onyx Lorenzoni, Casa Civil; e general Augusto Heleno, Defesa. Já o vice-presidente, general Hamilton Mourão, terá papel de destaque no governo e não apenas decorativo.

Bolsonaro disse ainda “que ficou no passado” a ideia de aumentar o número de vagas no Supremo Tribunal Federal (STF). “Domingo conversei com Dias Toffoli (presidente do STF), chegando a Brasília conversarei com o presidente do Supremo. Tenho certeza de que teremos uma convivência extremamente harmônica”, afirmou o presidente eleito, complementando que a transição de governo “será tranquila e com responsabilidade”.

Ele contou ainda que, no domingo, recebeu telefonemas protocolares de presidentes de outros países, como da Colômbia, Uruguai, Argentina, Chile, Israel e Espanha. “Obviamente, estou muito feliz porque, apesar de protocolares, houve demonstração de que vamos caminhar juntos desses países.”

O presidente eleito citou especialmente o contato com os Estados Unidos, para onde viajará neste ano ao lado de assessores. “Temos muito de ampliar comércio com Estados Unidos”, sem depreciar as negociações com outros países, segundo Bolsonaro.

Mais uma vez, Bolsonaro negou a existência de grupos menos favorecidos, as minorias, e criticou especialmente a atividade do MST, que, pela sua vontade, terá atuação enquadrada como terrorista, segundo o novo presidente. “A oposição sempre é bem-vinda”, disse, ao ser questionado sobre o convívio com o PT, com o qual disputou o segundo turno.

Sobre a imprensa, disse que a liberdade “é sagrada”, e que o consumidor final dará limite aos grandes grupos de imprensa.

Câmara

As vagas da Mesa diretora da Câmara devem ser ocupadas por quem já tem o mandato, segundo Bolsonaro. “Pela governabilidade, seria bom diversificarmos os cargos da Mesa Diretora”, disse, na entrevista, complementando que gostaria que o seu partido não lutasse pela presidência da Câmara.

O novo presidente, que tomará posse em janeiro, afirmou ainda que pretende enviar ao Congresso um “pacotão de medidas que vai atender o agronegócio, a agricultura familiar, a segurança jurídica que o homem do campo precisa, a segurança pública para exercer de fato o legítimo direito à defesa”.

Segundo Bolsonaro, “a maioria dos parlamentares é honesta”, embora, algumas vezes, os congressistas se acomodam agindo em linha com lideranças “não bem-intencionadas”.