O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou na tarde desta quinta-feira (13) a saída de Onyx Lorenzoni da Casa Civil. Ele chefiará agora a pasta da Cidadania, antes a cargo de Osmar Terra.

A Casa Civil será comandada pelo general do Exército Walter Souza Braga Netto, confirmando o terceiro ministro oriundo das Forças Armadas na cúpula do Palácio do Planalto.

Fotos: Wilson Dias e Fabio Rodrigues/Agência Brasil

Além de Braga Netto, outros dois generais chefiam a Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o GSI, Augusto Heleno. O major reformado da Polícia Militar Jorge Oliveira é o chefe da Secretaria-Geral.

O convite de Bolsonaro a Braga Netto, antecipado nesta quarta (12) pela Folha de S.Paulo, consolida a retomada do prestígio do núcleo militar no governo.

As trocas foram confirmadas por Bolsonaro em suas redes sociais. Na manhã desta quinta, ele havia dito que as trocas ministeriais seriam anunciadas apenas por meio de publicações no Diário Oficial da União.

O presidente agradeceu Osmar Terra, que deverá reassumir o mandato de deputado federal. O agora ex-ministro negou a oferta feita por Bolsonaro de assumir uma embaixada.

Minutos depois de anunciar as mudanças ministeriais, Bolsonaro falou sobre o tema em uma transmissão ao vivo pelo Facebook.

“Trocamos hoje dois ministros. Ficou completamente militarizado o meu terceiro andar. São quatro generais ministros agora [contando com o general Fernando Azevedo, da Defesa]. Nada contra os civis. Tem civis excepcionais trabalhando, como o Sergio Moro, por exemplo”, afirmou.

A conversa se deu em visita de estudantes de direito de Limeira (SP) ao Alvorada. Bolsonaro os convidou na porta para que entrassem para conhecer a residência oficial da Presidência. Ele ainda elogiou outros ministros.

“O Tarcísio, é civil ou militar? É militar. Ele fez academia, fez o IME, depois passou em concurso para a Câmara. Agora é o nosso ministro. O André Mendonça é pastor evangélico, o Ricardo Salles, do Meio Ambiente, também é muito bom. Você vai pegando os ministérios aí e lógico que pode ter problema, né? Mas, como regra, estão indo bem. Na Defesa temos um general, antigamente tivemos gente do PT, PC do B, e não tem cabimento isso. Cada área a gente coloca um ministro que entende do assunto sem aquela jogada que vocês sabiam que existia”, afirmou.

Em sua live semanal, durante a qual faz um apanhado dos principais assuntos de governo, Bolsonaro voltou a falar sobre as mudanças em sua equipe ministerial.

“Fizemos uma pequena reforma ministerial. Nenhum ministro está saindo por qualquer problema. Há poucos dias, no Ministério do Desenvolvimento Regional saiu [Gustavo] Canuto que foi para o Dataprev, que vai ajudar na fila do INSS.”

Ele comentou que a volta de Terra para o mandato de deputado vai ajudar o governo na Câmara. “Terra volta para Câmara e vai nos auxiliar na Câmara. E vai cumprir uma missão na Câmara, que fez trabalho muito bom à frente da Cidadania.”

Em relação ao novo chefe da Casa Civil, Bolsonaro lembrou que Braga Netto tornou-se conhecido como interventor na Segurança Pública do Rio de Janeiro, determinada pelo ex-presidente Michel Temer em 2018.

“Ele fez um excepcional trabalho. Bem-vindo, Braga Netto e obrigado por ter aceito nosso convite. Para você, isso não deixa de ser mais um desafio porque sai da parte bélica e vai para a burocracia”, disse.

Segundo Bolsonaro, o papel do general à frente da Casa Civil será o de coordenar e conversar com a equipe ministerial.

“A sua missão mais importante na Casa Civil é coordenar os ministros, é conversar com os ministros, buscar soluções. Também falo muito em antecipar problemas em havendo qualquer coisa que possa não dar certo no ministério, que pode acontecer. O ministro às vezes tem algum problema e ele tá lá para ajudar a solucionar e se antecipar a estes casos que possam não beneficiar a administração.”

A transmissão de cargos, pelo que informou o presidente, será realizada na próxima terça-feira (18) em cerimônia no Palácio do Planalto.

Bolsonaro passou a tarde sem agenda oficial, em reunião com seus principais aliados e conselheiros para resolver o novo desenho ministerial.

Houve resistência por parte de Braga Netto em aceitar o convite para assumir a Casa Civil. Por outro lado, o presidente chegou a pensar se essa seria a melhor solução devido às críticas de que militares são maioria na equipe ministerial palaciana.

Braga Netto é o atual chefe do Estado-Maior do Exército, liderou o Comando Militar do Leste e, durante dez meses em 2018, foi o interventor militar na área de segurança pública do Rio de Janeiro.

Grupos influente no começo do mandato de Bolsonaro, os militares haviam perdido poder ao longo de 2019. No lugar, ascendeu a influência da ala ideológica do bolsonarismo, comandada informalmente pelos filhos de Bolsonaro e composta por discípulos do escritor Olavo de Carvalho.

O cenário começou a mudar com a ida ao Planalto do general Luiz Eduardo Ramos, amigo de Bolsonaro que virou chefe da Secretaria de Governo.

Braga Netto é visto como um dos generais mais disciplinados de sua geração, e teve na intervenção militar na área de segurança do Rio de Janeiro o ponto alto de sua carreira até aqui.

Problemas não faltaram: mortes de civis em favelas e o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista ocorreram quando Braga Netto era responsável pelas forças policiais fluminenses.

Houve melhoria de alguns indicadores de violência e piora de outros, além do reaparelhamento de alguns setores da polícia durante a intervenção. Especialistas em direitos humanos, em geral, consideraram a iniciativa como inócua. Militares de alto escalão estimam que, dada a situação trágica que encontraram, a ação foi bem-sucedida ao fim.

Braga Netto subiu na carreira após a intervenção, saindo do Comando Militar do Leste e chegando à chefia do Estado-Maior do Exército, segundo posto na hierarquia interna da Força.

O ex-interventor é conhecido por trabalhar em silêncio, ao proverbial estilo mineiro de sua Belo Horizonte natal. Tem 62 anos e entrou em 1975 no Exército. É casado e tem dois filhos. ​

Trocas de ministros no governo Bolsonaro

Secretaria-Geral

Em fevereiro de 2019, em meio à revelação do esquema de candidaturas laranjas no PSL, Bolsonaro demitiu Gustavo Bebianno. Em seu lugar assumiu o general Floriano Peixoto, que em junho deixou a pasta para comandar os Correios. O atual ministro é Jorge Oliveira.

Educação

Ricardo Vélez-Rodríguez foi demitido em abril, após meses de crise e paralisia no MEC. Assumiu Abraham Weintraub, conhecido por polêmicas.

Secretaria de Governo

Em junho, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou o posto após embates com discípulos do ideólogo Olavo de Carvalho e com filhos de Bolsonaro, em especial o vereador Carlos. Quem ocupou o cargo foi o também general Luiz Eduardo Ramos.

Desenvolvimento

Na semana passada, Bolsonaro demitiu Gustavo Canuto, que foi para a presidência do Dataprev. Rogério Marinho, até então secretário especial do Trabalho e da Previdência, foi alçado à chefia da pasta.

Casa Civil e Cidadania

Nesta quinta (13), o governo anunciou que Onyx Lorenzoni deixa a Casa Civil, que ficará com o general Walter Braga Netto. O ministro irá para a Cidadania -Osmar Terra, que ocupava o posto, reassumirá seu mandato como deputado federal.

 

Militares no 1° escalão do governo

Hamilton Mourão

Vice-presidente, é general da reserva do Exército

Augusto Heleno

Chefe do GSI, é general da reserva do Exército

Luiz Eduardo Ramos

Chefe da Secretaria de Governo, é general da ativa do Exército

Marcos Pontes

Ministro da Ciência e Tecnologia, é tenente-coronel da reserva da Força Aérea

Bento Albuquerque

Ministro de Minas e Energia, é almirante da reserva da Marinha

Fernando Azevedo

Ministro da Defesa, é general da reserva do Exército

Wagner Rosário

Ministro-chefe da CGU, é capitão da reserva do Exército

Tarcísio Freitas

Ministro da Infraestrutura, é capitão da reserva do Exército

Walter Braga Netto

Futuro ministro da Casa Civil, é general da ativa do Exército