Redação com Estadão

Aldemir Bendini – Foto: Alex Ferreira – Ag. Câmara

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine chegou por volta de 13h40 à carceragem da Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato. Ele foi preso às 6 horas da manhã desta quinta-feira, 27, em Sorocaba, no interior de São Paulo, na Operação Cobra, fase 42 da Lava Jato, por suspeita de recebimento de propina de R$ 3 milhões da Odebrecht.

Bendine viajou de carro até Curitiba, escoltado por agentes da Polícia Federal, que percorreram uma distância de aproximadamente 360 quilômetros.

Ele vai ficar em uma cela da PF por cinco dias, pelo menos – prazo da prisão temporária decretada pelo juiz federal Sérgio Moro.

Propina 30 dias antes de evento com Janot

Aldemir Bendine ‘Cobra’ era presidente da Petrobras quando encontrou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em 31 de julho de 2015, para celebrar a devolução de R$ 139 milhões desviados da estatal e recuperados pela Operação Lava Jato. Trinta dias antes do evento – um marco na guerra contra a corrupção que devastou a estatal petrolífera -, Bendine recebeu, segundo o Ministério Público Federal, a terceira parcela de R$ 1 milhão da propina paga pela Odebrecht.

Bendine foi preso nesta quinta-feira, 27, por suspeita de receber R$ 3 milhões em razão de sua atuação na estatal. Ele foi presidente da Petrobras entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016. Na planilha de propinas da empreiteira, ele era identificado pela alcunha ‘Cobra’.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros exigiram propina aos executivos Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, da Odebrecht. O pedido teria sido feito para que o grupo empresarial não fosse prejudicado na Petrobras e em relação às consequências da Lava Jato.

Em decorrência deste novo pedido e com receio de ser prejudicada na estatal petrolífera, a Odebrecht optou por pagar a propina de R$ 3 milhões. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados no ano de 2015, nas datas de 17 de junho, 24 de junho e 1º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas – o departamento de propina da empresa.

O encontro com Janot ocorreu 30 dias depois do pagamento da última parcela de propina da Odebrecht a Bendine ‘Cobra’.

Em 31 de julho de 2015, em clima solene, o então presidente da Petrobras e o procurador-geral da República assinaram um termo de restituição de R$ 139 milhões aos cofres da estatal.

Deste total, R$ 69 milhões foram devolvidos pelo ex-gerente executivo da Petrobras Pedro José Barusco Filho e R$ 70 milhões devolvidos pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa

Na ocasião, Bendine anunciou que a estatal havia tornado mais rigoroso o processo de gestão de fornecedores. O então presidente da Petrobras, que chegou à estatal com a missão de implantar um modelo exemplar de governança, afirmou que a corrupção era ‘uma prática individual, mas cabia às empresas criar mecanismos para impedir danos à reputação’.

“Fornecedores que falharem nessas condições serão excluídos de cadastro”, advertiu Bendine, com autoridade. E lançou um desafio aos corruptos. “Não aceitaremos passivamente o papel de vítima. Fomos vítimas de pessoas que usaram seus cargos para obter benefícios.”

R$ 139 milhões foram a segunda parcela devolvida à Petrobras. Em 11 de maio de 2015, Bendine já havia participado da primeira devolução de dinheiro desviado da estatal. Naquele dia, o Ministério Público Federal fez uma entrega simbólica de mais R$157 milhões, também recuperados de contas secretas de Pedro Barusco na Suíça.

“A orientação que eu recebi da presidente Dilma é clara: não hesitaremos em defender os interesses da companhia diante dos malfeitos e buscaremos sem descanso a reparação integral por todos eles”, bradou Bendine ‘Cobra’, na ocasião.

“Um dia como esse em que retomamos a primeira parcela dos recursos perdidos por conta destas práticas reforça que a Petrobras está no rumo certo para superar essa crise e voltar a ser a fonte, não só de orgulho, mas de boas perspectivas e de bons resultados para seus empregados, seus acionistas e todo o conjunto da sociedade brasileira.”

Defesa

O advogado Pierpaolo Bottini, que defende Aldemir Bendine, afirmou que desde o início das investigações “Bendine se colocou à disposição para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários ao inquérito, demonstrando a licitude de suas atividades”. “A cautelar é desnecessária por se tratar de alguém que manifestou sua disposição de depor e colaborar com a justiça”, disse Bottini