O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou para análise do plenário da corte a decisão de afastar do cargo por 90 dias o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro na cueca em operação da Polícia Federal.

Agora, cabe ao presidente do Supremo, Luiz Fux, marcar uma data para o julgamento do caso. O senador era vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, mas deixou a função após ser alvo da operação.

O afastamento foi determinado monocraticamente nesta quinta-feira (15) por Barroso devido à suspeita de que Rodrigues integra um esquema de corrupção para desviar recursos públicos na compra de testes rápidos para detecção da Covid-19.

O esquema envolveria mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares. A Controladoria-Geral da União (CGU) também participa da investigação.

Foto: Divulgação/STF

A PF havia pedido a prisão preventiva de Chico Rodrigues, mas Barroso autorizou a operação de busca e apreensão e afastou o senador do cargo.

O Senado, porém, ainda tem de se reunir para votar se aceita a ordem de afastamento de um dos colegas. Em 2017, o STF decidiu que o Legislativo pode rever restrições impostas contra um parlamentar.

O julgamento no plenário do STF, caso confirme a decisão de Barroso, servirá para reforçar o entendimento e constranger os senadores para que não derrubem a determinação do Supremo.

Segundo investigadores envolvidos no caso, parte das cédulas encontradas em endereços ligados ao parlamentar estavam nas nádegas de Rodrigues. Cerca de R$ 30 mil foram encontrados na casa dele.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Boa Vista. Rodrigues foi um dos alvos.

A decisão de Barroso de enviar o processo ao plenário visa dar força ao movimento de Fux, que quer aprovar uma mudança no regimento que torne automático e obrigatório o encaminhamento de despachos individuais ao plenário.

Após a operação, Chico Rodrigues divulgou nota em que disse acreditar “na Justiça dos homens e na Justiça Divina”.

“Estou tranquilo com o fato ocorrido hoje [quarta-feira] em minha residência em Boa Vista, capital de Roraima. A Polícia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado”, afirmou Rodrigues.