Aumento de R$ 10 mil: novo piso para médicos e dentistas avança no Senado e recebe alerta de ministro

Segundo o ministro Gilmar Mendes, aumentar o piso dos médicos e dentistas sem indicar a fonte do dinheiro desrespeita a Constituição

Informações Agência Brasil

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, na noite de quarta-feira (10), uma proposta que aumenta o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 para jornadas de 20 horas semanais. Nas redes sociais, o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) indicou que o texto do aumento do piso dos médicos pode ser inconstitucional.

Mãos segurando um estetoscópio, representando um médico médico, que terá aumento no piso salarial, projeto criticado por ministro
Médicos poder ter aumento de R$10 mil no piso, mas ministro vê inconstitucionalidade. Foto: Pexels

Com a aprovação na comissão, o texto segue para a Câmara dos Deputados. O caminho da proposta só muda caso algum senador entre com recurso pedindo por votação no plenário do Senado. Se aprovadas, as novas regras valerão para os profissionais dos setores público e privado.

Segundo estimativas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o impacto da medida seria bilionário. Apenas para a rede pública federal, o custo da medida seria de aproximadamente R$ 7,7 bilhões em 2027.

De autoria da senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB), o Projeto de Lei nº 1.365/2022 também aumenta de 20% para 50% o valor do adicional por trabalho noturno e as horas extras. Se entrar em vigor, o novo piso representará um aumento de aproximadamente 276% em relação ao valor atual.

Ministro critica o aumento do piso dos médicos

Embora o projeto tenha sido celebrado por representantes da categoria, Gilmar Mendes, teceu críticas e questionou a constitucionalidade do projeto. Em uma publicação nas redes sociais, o ministro afirma que a medida pode gerar consequências indesejadas caso não se defina uma fonte de custeio.

Ministro Gilmar Mendes critica texto de projeto que aumenta piso dos médicos. Foto: STF

“A medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população.”

afirmou na publicação.

Segundo ele, impor um aumento de piso salarial nacional para médicos sem considerar as diferenças orçamentárias entre as regiões pode comprometer a autonomia financeira de estados e municípios.

Além disso, o ministro Gilmar Mendes afirmou que o aumento do piso dos médicos pode contrariar regras constitucionais relacionadas ao financiamento de despesas públicas. Segundo ele, a Constituição determina que a União não pode criar gastos sem deixar clara a fonte desse dinheiro.

Categoria comemora avanço

O relator da proposta, senador Fernando Dueire (PSD-PE), classificou a aprovação como uma “reparação histórica” para médicos e dentistas. Segundo ele, a valorização salarial pode ajudar a ampliar a presença desses profissionais em regiões mais afastadas do país.

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, também comemorou o resultado da votação e afirmou que a aprovação representa um reconhecimento da importância dos médicos para o sistema de saúde brasileiro.

Antes de entrar em vigor, o aumento do piso dos médicos ainda precisa da aprovação na Câmara dos Deputados e poderá ser alvo de questionamentos judiciais, como sugeriu o ministro do STF.

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