A Assembleia Legislativa do Paraná protocolou nesta quarta-feira (17) no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de suspensão de segurança da decisão liminar que impediu a votação do pedido de cassação do deputado estadual Renato Freitas (PT). A sessão de análise do caso em que o parlamentar é acusado de quebra de decoro parlamentar, por uma briga de rua, estava marcada para a última terça-feira (16).

O deputado estadual Renato Freitas sentado em uma cadeira de couro preta no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná. Ele tem cabelo black power volumoso, veste um paletó cinza claro sobre um suéter vermelho e camisa preta, e fala ao microfone acoplado à bancada. À sua frente há um notebook preto e, ao fundo desfocado, pessoas transitam no plenário de madeira.
Assembleia acionou o STJ com pedido de suspensão de segurança para tentar reverter a liminar que paralisou a votação do pedido de cassação do deputado Renato Freitas (PT). Foto: Antônio More/Assembleia Legislativa

No recurso, ao qual a Banda B teve acesso, a Procuradoria Jurídica da Assembleia argumenta que a questão é urgente e grave, defendendo que houve interferência da Justiça em um assunto interno da Casa. Isso, segundo a ação, pode gerar risco à ordem social, ao produzir um “sentimento de impunidade e de salvo conduto” aos deputados, podendo até ocasionar um aumento de atos de indisciplina e de ofensa ao decoro parlamentar.

O texto faz ainda um resumo do trâmite do processo de cassação do deputado, alegando que foi conduzido de acordo com as normas do Regimento Interno e do Código de Ética e Decoro Parlamentar.

Na peça protocolada no STJ, também são questionados os motivos apontados pelo desembargador Rogério Luis Nielsen Kanayama, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), para suspender a votação.

O magistrado negou, em um primeiro momento, conceder decisão liminar no Mandado de Segurança pedido por Renato Freitas. Mas reconsiderou a posição após Agravo Interno solicitado pela defesa do parlamentar.

No entanto, o desembargador não apontou irregularidades na condução do processo ético-disciplinar, apenas apontou o risco de ocorrer um “dano grave e irreparável” contra Freitas, caso fosse cassado, o que resultaria em uma inelegibilidade para as eleições deste ano, em outubro. O deputado do PT é pré-candidato para uma vaga na Câmara Federal.

Assembleia alega que este não é o primeiro caso com interferência da Justiça

Na ação, a Procuradoria Jurídica da Assembleia contextualiza ainda que este não é o primeiro processo ético-disciplinar contra Renato Freitas impedido de prosseguir devido à interferência da Justiça.

No caso em questão, o deputado do PT foi condenado pelo Conselho de Ética à perda das prerrogativas parlamentares por 30 dias. Ele foi denunciado por ter supostamente facilitado a entrada de professores na Assembleia durante protesto da categoria em junho de 2024. O caso segue pendente de desfecho após uma guerra de liminares, envolvendo TJ-PR e STJ.

“A sucessiva judicialização de atos internos relacionados à conclusão de processos ético-
disciplinares tem impedido, na prática, que o Plenário da Assembleia Legislativa exerça a competência que lhe foi constitucionalmente atribuída para deliberar sobre a responsabilização de seus membros. O resultado é o esvaziamento progressivo do poder disciplinar da Casa e a criação de um cenário de insegurança institucional incompatível com a autonomia do Poder Legislativo e, via de consequência, com a ordem pública”

diz o texto da ação da Assembleia no STJ

Entenda o caso da briga de rua envolvendo Renato Freitas, que pode render sua cassação

O processo disciplinar que pode levar à cassação do mandato de Renato Freitas foi aberto após uma briga de rua entre o parlamentar e um manobrista no Centro de Curitiba, em novembro de 2025. O episódio foi registrado por câmeras de segurança e por pessoas que estavam no local.

Ao analisar o caso, o Conselho de Ética entendeu que houve quebra de decoro parlamentar e aprovou a recomendação de perda do mandato do deputado. O parecer foi elaborado pelo deputado Márcio Pacheco (Republicanos) e aprovado por maioria pelos demais membros.

Durante a tramitação do processo, testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa foram ouvidas pelo Conselho de Ética. Também foram analisadas imagens e demais provas relacionadas à ocorrência.

A defesa de Renato Freitas, no entanto, nega a acusação de quebra de decoro. O parlamentar sustenta que não iniciou a agressão e afirma que tentou conter a situação para proteger a companheira, que estava grávida à época, durante o episódio.

A denúncia que deu origem ao procedimento foi apresentada por vereadores de Curitiba e deputados estaduais, que pediram a responsabilização do parlamentar pelo episódio.

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