Arte e a simplicidade nas tiras de ‘Cesinha’ e Eloi Zanetti

Aroldo Murá

Eloi Zanetti e Cesar Marchesini

Quem escreve sabe que quanto mais sintética é a frase e o parágrafo mais força tem o texto. Hemingway dizia que “uma frase é como pólvora, quanto mais comprimida maior o poder de explosão”; no início da sua carreira dizia que gostaria de escrever como Cézanne pintava, nenhum adjetivo ou palavra a mais, nenhuma pincelada desnecessária e, para se exercitar, ficava horas frente aos quadros do Cézanne para absorver sua forma de trabalho – limpeza total da obra executada.

Por outro lado, bons artistas plásticos tentam limpar continuamente os excessos nas suas pinturas e desenhos. Aprender a limpar, tirar fora, tanto traços de pinturas, quanto palavras e frases de um texto é trabalho de longo aprendizado, muitas vezes de uma vida toda.

CESINHA, O EXEMPLO

Um bom exemplo de alguém que alcançou este refinamento é o cartunista Cesar Marchesini – Cesinha -, para os amigos. Hoje, seus desenhos e cartuns mostram refinamento apurado, limpeza de traços e uma simplicidade que chega a parecer ingenuidade, mas não é. É traço de gênio, daquele que sabe realizar com competência um ofício aprendido durante muito tempo.

SEGUNDO ZANETTI

Cesinha já passou por várias agências de propaganda e quem fala um pouco sobre ele é o ex-publicitário Eloi Zanetti que gerenciou seu trabalho na antiga House do Bamerindus, a Umuarama: – “Cesinha tinha um trato comigo – chegar tarde ao trabalho, quase ao meio dia e resolver tudo o que precisava a tarde. Ele costumava sair de casa de madrugada, quando haviam notícias de ondas boas, e ia para a Ilha do Mel surfar.

Chegava cedinho, pegava suas ondas e lá 10 horas voltava para Curitiba indo direto para a agência. Alguns funcionários reclamavam desta “mordomia” e eu replicava. Ele, o Cesinha, faz mais em meia hora de trabalho concentrado do que muita gente que fica o dia inteiro zanzando pela agência.”

METRO & BRECHÓ

Recentemente os dois: Cesinha e Eloi criaram uma tirinha chamada Metro & Brechó que conta a história de um metrossexual que comprou num brechó (daí um dos nomes) um velho espelho que pertenceu ao Walt Disney – era o espelho da Branca de Neve. E o espelho tirar sarro do metrossexual sempre que ele aparece no banheiro. As tiras podem ser vistas em uma página do Facebook – Metro & Brechó. Leia mais AQUI

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