O governador do Paraná, Ratinho Junior, afirmou nesta segunda-feira (20) que o estado “não tem tempo a perder com discussões políticas”. A declaração, feita por meio de nota, é uma justificativa de Ratinho para não ter participado de uma carta assinada por 20 governadores manifestando apoio aos presidentes da Câmara e do Senado, após ataques do presidente Jair Bolsonaro aos dois principais líderes do Congresso Nacional.

Governador Carlos Massa Ratinho Junior. – Curitiba, 02/01/2019 – Foto: José Fernando Ogura/ANPr

Ratinho diz ainda que a prioridade, neste momento, “é enfrentar da melhor maneira esta pandemia, que tem desafiado a todos a buscar medidas que minimizem os impactos na saúde e na economia”.

Para os governadores que assinam o documento, divulgada neste domingo, por meio do Fórum Nacional de Governadores, Bolsonaro está “afrontando os princípios democráticos que fundamentam nossa Nação”.

Também não participaram da carta aberta os governadores do Acre, Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Rondônia e Roraima.

Carta

“Neste momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises, temos testemunhado o empenho com que os presidentes do Senado e da Câmara têm se conduzido, dedicando especial atenção às necessidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios brasileiros”, diz a carta. “Ambos demonstram estar cientes de que é nessas instâncias que se dá a mais dura luta contra nosso inimigo comum, o coronavírus, e onde, portanto, precisam ser concentrados os maiores esforços de socorro federativo”, continua.

Os governadores afirmam que não há conflitos inconciliáveis entre a salvaguarda da saúde da população e a proteção da economia nacional, ainda que os momentos para agir mais diretamente em defesa de uma e de outra possam ser distintos. “Consideramos fundamental superar nossas eventuais diferenças através do esforço do diálogo democrático e desprovido de vaidades. A saúde e a vida do povo brasileiro devem estar muito acima de interesses políticos, em especial nesse momento de crise”, defendem.

A carta afirma ainda que a ação dos Estados, no Distrito Federal e nos municípios tem sido pautada pelos indicativos da ciência, por orientações de profissionais da saúde e pela experiência de países que já enfrentaram etapas mais duras da pandemia, buscando, neste caso, evitar escolhas malsucedidas e seguir as exitosas.

Bolsonaro abriu fogo contra Maia na última quinta-feira, após demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Em entrevista à rede de TV CNN, disse que sua atuação é “péssima” e insinuou que o parlamentar trama contra o seu governo. Em resposta, Maia afirmou que não vai atacar Bolsonaro.

Leia a nota de Ratinho Júnior na íntegra:

“Neste momento, a prioridade é enfrentar da melhor maneira esta pandemia, que tem desafiado a todos a buscar medidas que minimizem os impactos na saúde e na economia.

Nossa obrigação, como gestores, é dar suporte ao povo brasileiro, especialmente às classes mais carentes.

O Paraná não tem tempo a perder com discussões políticas.

Juntos entramos nesta crise. Juntos dela sairemos. O momento é de união.”