Ao lado do oncologista Nelson Teich, indicado como novo ministro da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro agradeceu Luiz Henrique Mandetta por seu trabalho à frente da pasta e voltou a criticar medidas restritivas de governadores.

O presidente anunciou oficialmente Teich como novo ministro e comparou a saída de Mandetta da pasta a um “divórcio consensual”.

“Foi realmente um divórcio consensual. Acima de mim como presidente e dele [Mandetta] como ainda ministro está a saúde do povo brasileiro. A vida para todos nós está em primeira lugar”, declarou Bolsonaro.

Ele se referiu ainda à conversa que teve com Mandetta na tarde desta quinta no Palácio do Planalto, quando demitiu o ministro. Segundo Bolsonaro, Mandetta aceitou participar de uma transição no ministério com a equipe do novo ministro.

Em seu discurso, o presidente voltou a criticar governadores e prefeitos pelo o que considera excessos nas ações de isolamento social, entre elas o fechamento de comércios.

Para o presidente, essas ações prejudicam a economia e podem gerar danos tão graves quanto a ameaça à saúde representada pela Covid-19. “Quem tem o poder de decretar estado de sitio é o presidente, e não governador e prefeito”, declarou. “O remédio não pode ter efeito mais danoso que a própria doença”.

 

Foto: Carolina Antunes/PR

 

“Devemos tomar medidas sim para evitar a proliferação ou expansão do vírus, mas pelo convencimento e com medidas que não atinjam a liberdade e as garantias individuais de qualquer cidadão”, acrescentou o presidente.

Em outra investida contra governadores, em especial contra João Doria (PSDB), de São Paulo, o presidente falou que jamais mandaria prender quem estivesse nas ruas em desrespeito a regras de quarentena.”Os excessos que alguns cometeram, que se responsabilizem por eles. Eu jamais mandaria as minhas forças armadas prenderem quem estivesse nas ruas”.

Teich se reuniu na manhã desta quinta com Bolsonaro e ministros palacianos, quando foi convidado a assumir o cargo que era de Mandetta.

 

Nelson Teich, novo ministro da Saúde. Foto: Leo Pinheiro/Valor/Folhapress

 

Bolsonaro demitiu Mandetta nesta quinta, após semanas de divergências públicas sobre a resposta à crise do Covid-19 no Brasil.

Enquanto o agora ex-ministro defende medidas de isolamento social, o presidente apela pela volta à normalidade e pelo fim do fechamento de comércios em estados e municípios.

Outro ponto central do choque entre o mandatário e seu subordinado é o uso da cloroquina para pacientes do novo coronavírus.

Bolsonaro é um entusiasta do medicamento e quer que ele seja administrado inclusive para pacientes em estágio inicial.

Mandetta, por sua vez, tem repetido que ainda não há estudos científicos provando a eficácia da droga. O ex-ministro é contra a adoção de um protocolo do governo recomendando a cloroquina, afirma que ela já é usada no Brasil para casos de doentes internados -intubados ou não- e que seu emprego em outras situações deve estar ancorado na relação entre o médico e o paciente.