POR IGOR GIELOW – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A mais recente pesquisa do Datafolha sobre o governo Jair Bolsonaro mostra um aumento na polarização do país, com a queda na taxa de quem acha o trabalho do presidente regular.

Neste contingente, que soma 26% da população, ante 32% em levantamento feito no começo de dezembro, o apoio à abertura de um processo de impeachment e à renúncia do presidente tem peso semelhante: 39% e 38%, respectivamente.

No caso do impeachment, há um empate dentro da margem de erro de três pontos percentuais com o índice dos que defendem a abertura na população em geral: 45%. Já a defesa da renúncia tem uma distância maior, fora da margem: no total, 46% acham que o presidente deveria sair voluntariamente do cargo.

Entre esse time do meio, 52% são contra o processo de impedimento, empatados com 48% da conjunto avaliado. Já o apoio para que Bolsonaro não renuncie é de 55%, também empatado com o índice geral (50%).

Acompanhar o movimento desse grupo é importante no contexto da crise política atual dada a aceleração da polarização. Bolsonaro tem hoje cristalizados 33% de ótimo e bom entre os brasileiros, enquanto 38% o rejeitam como ruim ou péssimo.

 

Foto: Agência Brasil

 

Nesses grupos, o apoio ou desaprovação de renúncia e impeachment seguem a lógica esperada. Só 8% daqueles que acham Bolsonaro bom ou ótimo querem o processo de impedimento e 11%, a renúncia. A mão contrária vai na mesma linha: 84% dos que o rejeitam querem ver o impeachment na Câmara e 83%, a renúncia.

Assim, o grupo da avaliação regular, caso a tendência de polarização se acentue, deverá ajustar o balanço desta polarização.

Bolsonaro está sob pressão devido à conjunção da crise sanitária e econômica decorrente da Covid-19 e pela saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Estrela da Esplanada, o ex-juiz da Lava Jato acusou o presidente de tentar interferir politicamente na PF.

Bolsonaro negou, mas indicou para o cargo um delegado próximo de sua família, que é alvo de apurações. Nesta quarta (29), decisão provisória no Supremo Tribunal Federal impediu a posse do escolhido, Alexandre Ramagem.