A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (7), a operação policial denominada “Apocalipse”, que tem como propósito desarticular uma organização criminosa inserida nas cidades de São Miguel do Iguaçu e Missal, no oeste do Paraná. A  operação investiga fraudes em licitações.

Estão sendo cumpridas 130 ordens judiciais, sendo duas de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 51 mandados de busca e apreensão e 44 ordens de afastamento de sigilo bancário e fiscal.

Deflagração da operação Apocalipse – PF

Além destas medidas, por meio de 30 ordens específicas, foi realizado o bloqueio de ativos financeiros e a constrição patrimonial na ordem de 20 milhões de reais.

Um dos alvos é o prefeito de São Miguel do Iguaçu, Cláudio Dutra, que foi preso em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no dia 23 de setembro em outra investigação sobre fraudes em licitações.

De forma resumida, segundo a PF, o esquema criminoso iniciava por meio de fraudes em processos licitatórios das secretarias de relacionadas à saúde pública, limpeza urbana e esporte e cultura.

Os elementos angariados demonstram que as empresas selecionadas, algumas delas apenas de fachada, estavam relacionadas, direta ou indiretamente, a um empresário. Com os contratos em vigor, foram realizadas inúmeras manobras ardilosas que possibilitaram o desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito daqueles que foram identificados como os supostos líderes da organização criminosa.

Essas práticas possibilitaram uma exponencial evolução patrimonial de alguns investigados, cujos bens estavam ocultados em nome de interpostas pessoas, mas foram revelados pelas medidas investigativas adotadas no bojo da presente investigação.

No período de 2013 a 2020, em 25 procedimentos licitatórios, foram movimentados mais de R$ 60 milhões de verbas públicas por meio de 25 contratos celebrados com as empresas do grupo.

Foram encontrados robustos elementos que indicam que até o procedimento licitatório relacionado ao combate da pandemia causada pelo coronavírus foi manipulado pela  organização criminosa.

A operação, batizada de “Apocalipse”, tem seu nome relacionado ao padroeiro da cidade onde os fatos foram praticados, Arcanjo Miguel, o qual é reportado no livro de Apocalipse como um guerreiro na luta contra o mal.