A emoção de tomar a vacina contra a covid é uma mistura de sentimentos diferentes.

Tomei a vacina por ter 54 anos e duas comorbidades entre as 20 citadas pelo Ministério da Saúde na sua nota técnica. Quando é que eu podia imaginar que iria comemorar o fato de ser um doente crônico, coisa esquisita. Deveria estar triste por ter que conviver o resto da minha vida tomando 3 tipos de remédios diferentes, mas fiquei alegre pelo fato de poder tomar a tão esperada vacina contra o covid.

As autoridades públicas obrigaram os pacientes a procurarem os seus médicos para que eles emitissem um atestado através do Conselho Regional de Medicina. Alguns reclamaram da burocracia, mas na verdade o brasileiro gosta de fazer coisa errada e já tinha gente falsificando atestado, pedindo um jeitinho para médicos conhecidos, enfim, tentando furar a fila da vacinação. Os pacientes que são do SUS não precisam de nada disso porque no seu prontuário eletrônico consta a comorbidade.

Na fila de triagem a gente vê de tudo, mas o que mais impressiona é com tanta informação disponível, com notícia 24 horas por dia, tem gente que ainda vai no dia que não é dele, não leva os documentos necessários, ou preenche errado os formulários e ainda reclama. Sai da fila e volta pra casa. Se todo mundo fizesse a sua parte direitinho a fila andava mais rápido.

No Pavilhão da Cura, o nome que o prefeito Rafael Greca deu para o espaço de eventos que tem no Parque Barigui, as coisas acontecem com tranquilidade, como em outros postos de vacinação espalhados pela cidade. O momento da vacina parece tietagem com ator de novela. É foto no telão onde aparece o seu nome, é foto da seringa, é foto do frasco da vacina e é foto das enfermeiras aplicam a dose no seu braço. Tudo devidamente postado nas redes sociais como um troféu conquistado com muito esforço.

Segundos depois de tomar a vacina já aparece no aplicativo Saude Já a informação que você tomou a vacina, informa sobre o fabricante, hora e local onde você foi imunizado. O esquema de vacinação funciona direito. Sentado ali no pavilhão esperando os 10 minutos que a enfermeira pediu, para ver se não tinha nenhum tipo de reação mais grave, fiquei pensando como a nossa vida é frágil, e como somos dependentes. Pensei ainda nos que estão aguardando a sua vez na fila, nos meus filhos e quantos meses eles ainda terão que esperar para serem imunizados. Pensei também em como o Ministério da Saúde pode ser tão omisso com o povo brasileiro e ter demorado tanto para comprar vacinas. Triste mesmo é saber que a nossa saúde servirá de palanque político nas próximas eleições.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

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