Infelizmente o Brasil chegou ao número de mais de 500 mil mortes em razão da pandemia causada pelo coronavírus. 500 mil vidas perdidas, milhares de famílias em luto. A peste nos tirou o direito de ir e vir, o prazer do abraço, do encontro e do convívio familiar. Destruiu empresas e empregos. E mostrou que uma parte da classe política brasileira só tem olhos para eleições e politicagem, não estão interessados no bem estar da população.

A prova disso é a CPI da Covid, que chega à oitava semana de trabalho sem propor absolutamente nada de útil ao país. Os tais senadores, com suas bandeiras partidárias, não mexeram um músculo do corpo para procurar soluções para acabar com a pandemia. Estão apenas fazendo um jogo de holofotes e campanha eleitoral antecipada. Mas o povo não é bobo e está de olho na atuação deles.

A pandemia causou um grande desgaste à imagem do presidente Jair Bolsonaro, que colaborou muito para isso com discursos, falas e manifestações fora de contexto. Se o presidente ficasse com a boca fechada, com certeza não teria que se preocupar com a eleição de 2022. O Instituto Paraná Pesquisas, que pertence ao curitibano Murilo Hidalgo, divulgou nesta semana um pesquisa nacional onde mostra uma rejeição ao presidente de 50,4% do eleitorado. Parece muito, mas na verdade é um empate técnico com o ex-presidente Lula, que tem uma rejeição de 49,7% entre os brasileiros.

A vantagem do Bolsonaro é que a rejeição ao Lula está consolidada, se ela reduzir de patamar será de poucos pontos percentuais e vai depender praticamente das falas e dos atos do presidente. Lula só renasceu no cenário político graças ao Supremo Tribunal Federal e ao próprio Bolsonaro, com os seus erros de comunicação. Já a rejeição do presidente é como uma montanha russa, uma hora sobe outra hora desce, e com a economia brasileira indo razoavelmente bem, como está acontecendo agora, a tendência é que essa rejeição comece a diminuir.

O ex-presidente Lula não teve uma desconstrução da sua imagem. Não tem sofrido ataques, está passeando por aí, livre, leve e solto, mas o brasileiro não esquece dos escândalos de corrupção e isso pode ser um diferencial na hora do voto. Lula mantém o seu curral eleitoral no Nordeste, onde tem 15% de vantagem sobre Bolsonaro. Já o presidente ganha no Sul, com 10%; no Sudeste, com 8%; e no Norte e Centro-Oeste com 7%. Lula lidera entre os mais jovens, 16 a 24 anos, e entre os mais velhos, acima de 60 anos. Mas Bolsonaro está à frente nas demais faixas etárias.

Teremos um eleição polarizada, onde um ex-presidiário, condenado por corrupção, vai tentar ganhar de um homem acusado de ser o responsável por mais de 500 mil mortes. Só no Brasil, onde parece que não existe nada melhor do que isso aí para governar o país.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

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Mortos e rejeição

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