Não é novidade para ninguém o ditado que diz que mentira tem pernas curtas. Mais cedo ou mais tarde o mentiroso acaba descoberto e a casa cai, como dizemos popularmente por aí. Mas em se tratando de Justiça Eleitoral não podemos dizer a mesma coisa. Além dos ditados populares, o que o brasileiro sabe muito bem é que a Justiça é morosa, lenta como uma tartaruga, é que sempre parece se colocar a favor dos poderosos contra os mais humildes.

Quem tem mais idade e um pouco de cabelo branco deve se lembrar da eleição de 1990 para governador do Paraná, entre Roberto Requião e José Carlos Martinez. Em um programa eleitoral da TV, Requião contratou um ator desconhecido que se passou por um matador de aluguel chamado Ferreirinha. Esse ator dizia que havia eliminado da face da terra diversos agricultores a mando da família do candidato Martinez, com o objetivo de tomar posse das suas terras. Era tudo mentira, ou fake news como dizemos hoje. Requião ganhou a eleição. Dominou o Paraná por 8 anos, os piores da história econômica do Estado. O processo na Justiça Eleitoral se arrastou por anos e Requião, apesar de desmascarado e condenado em primeira instância, não sofreu nenhum tipo de punição graças às manobras e recursos judiciais que mofaram nas gavetas do Tribunal Superior Eleitoral. E hoje, beirando os seus 80 anos e oscilando bons e maus momentos, pensa em concorrer a um novo mandato como governador, mesmo sendo o autor e mandante do maior crime de estelionato eleitoral da história política do Paraná.

A mesma Justiça Eleitoral que nada fez por décadas para punir o crime de Requião, acaba de condenar o Delegado Francischini, dono de 460 mil votos para deputado estadual, à perda do mandato por disparo em massa de “fake news” durante as eleições. Francischini cumpriu 3 dos 4 anos de mandato como se nada tivesse acontecido. O TSE levou todo esse tempo para tomar uma decisão, que é questionada por muitos juristas. O delegado e agora ex-deputado era um crítico ácido do Judiciário e para alguns parece ter sido usado como exemplo para as próximas eleições. Outra crítica é sobre como saber o que é e o que não é “fake news” nesta comunicação on-line, dinâmica e sem limites nas redes sociais de hoje.

No Antigo Testamento existe em versículo que trata da mentira: “Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo”. A grande maioria dos políticos brasileiros não sabe o que é isso. Mentem descaradamente, cometem estelionato eleitoral na maior cara de pau, prometem mundos e fundos e não cumprem nada daquilo que falaram para conquistar votos. Esse é o Brasil, que vai aos trancos e barrancos consolidando a sua democracia tupiniquim.


*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

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