Mais mulheres

Alexandre Teixeira

Não é de hoje que todos nós sabemos que os altos escalões da administração pública estão carentes da presença das mulheres. Existe um machismo impregnado e enraizado na cultura brasileira, principalmente quando se trata das esferas de poder, como Executivo, Legislativo e o Judiciário.

Em toda a história política do Paraná apenas a jornalista e empresária Cida Borghetti chegou ao mais alto posto da administração, foi governadora do Estado do Paraná, deixou o governo com 63% de aprovação. Entregou a máquina pública com as contas em dia e pronta para o seu sucessor, Ratinho Júnior. Mas a vida pública de Cida não se restringe apenas ao seu período como Governadora, foi deputada federal e estadual, e é reconhecida internacionalmente como a autora da mais avançada legislação sobre a Primeira Infância e também por liderar a luta contra o câncer.

A Assembléia Legislativa do Paraná teve muitas mulheres em seus quadros. A pioneira foi Rosy Pinheiro Lima, eleita em 1947. Hoje são apenas 5 mulheres entre os 54 deputados, Maria Victoria Barros, Mabel Canto, Luciana Rafagnin, Cristina Silvestri e Mara Lima. É um desequilíbrio enorme de forças já que as mulheres hoje são maioria entre os eleitores brasileiros, são maioria entre os provedores de lares e são maioria nos bancos escolares e universitários.

Tribunal de Contas do Paraná

Talvez a própria Assembleia Legislativa do Paraná possa dar exemplo e começar mudar essa história. Como ela não pode interferir no voto popular, está em suas mãos a indicação do próximo conselheiro ou conselheira do Tribunal de Contas do Estado. O conselheiro Artagão de Matos Leão completará em breve 75 anos de idade. Vai se aposentar. Foram anos dedicado à vida pública, com uma história de lutas em prol do estado e de Guarapuava, região onde nasceu. As articulações já estão começando. Existe um grupo de deputados que gostaria de deixar nas mãos do governador a escolha de um nome, existem outros deputados que gostariam que eles mesmos fossem os indicados, mas começa a ganhar força um movimento para romper a tradição masculina, o Clube do Bolinha, e colocar uma mulher no Pleno do Tribunal de Contas.

O Paraná tem mulheres com competência e qualidade para exercerem a função. O olhar feminino, a sensibilidade em acolher e ouvir o próximo, a capacidade de composição podem dar um novo ar ao Tribunal, que hoje tem como presidente o jovem conselheiro Fábio Camargo.

Por que não uma mulher como a primeira conselheira do Tribunal de Contas? Essa é uma boa luta para ser encampada por todos os paranaenses que buscam um pouco mais de igualdade entre homens e mulheres.

 

Ouça a coluna, na voz de Alexandre Teixeira:

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


 

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

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