Se não bastasse o coronavírus, que já matou quase 400 mil brasileiros e infectou mais de 13 milhões de pessoas, vamos viver semanas de muita confusão com a decisão de instalar a CPI do Covid no Senado Federal. Tenham certeza de que será um show de horrores, casa às bruxas, chantagem, vingança, disputa para aparecer em frente às câmeras de televisão, um apontado o dedo para o outro na tentativa de achar um culpado pela crise provocada pela pandemia.

O Congresso Nacional estava calmo nos últimos dias depois da eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados e de Rodrigo Pacheco para a do Senado. Além disso os parlamentares do Centrão conseguiram colocar na Secretaria de Governo do Palácio do Planalto, uma deputada ligada ao grupo, Flávia Arruda, além do novo Ministro da Justiça e de um delegado-geral da Polícia Federal com perfil 100% político. Mas a calma acabou e agora serão dias tensos pela frente.

Tudo bem que a decisão do Ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal, de ordenar a instalação da CPI, do ponto de vista técnico está certa, mas do ponto de vista político, social e econômico é um erro gigantesco. Enquanto todos deveriam estar unidos para ajudar o país a sair da crise, lá vem o Supremo botar lenha na fogueira e tumultuar o ambiente. Para completar o destempero verbal do presidente Bolsonaro, que acusou Barroso de não ter coragem moral e agir por militância política, só piora a situação que já é ruim, é igual a apagar incêndio com gasolina.

Em Brasília as raposas políticas costumam dizer que uma CPI a gente sabe como começa, mas nunca como termina. Na grande maioria das vezes as CPIs acabam em pizza, depois de meses de discussões e troca de acusações, terminam com um relatório que de pouco serve, já que qualquer crime descoberto ali precisa ser investigado pelas autoridades competentes.

Muitas vezes as CPIs servem como moeda de troca para verbas, emendas parlamentares ou cargos na administração federal, e também para que alguns tubarões façam correr dinheiro pelos corredores escuros de Brasília.

Enquanto a turma lá de Brasília fica brigando o povo brasileiro fica sofrendo. Torcendo para que as vacinas cheguem logo, que possamos ser imunizados o mais rápido possível, evitando mais mortes, mais internações, mais tragédias familiares. O Brasil é assim, quando a gente acha que já chegou no fundo do poço descobrimos que é só ilusão e que o pior parece que ainda estar por vir. Socorro.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


 

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

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