A cassação de Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato e agora ex-deputado federal, mostra apenas uma coisa: está tudo errado no Brasil. A tese usada pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral levanta uma série de dúvidas que até o momento nenhum advogado conseguiu explicar.

Deltan foi cassado porque renunciou ao cargo de procurador federal de Justiça quando ainda respondia processos administrativos. Ele não havia sido condenado em nenhum deles, mas os ministros entenderam que ele poderia ser condenado e  que fraldou o sistema porque interrompeu o procedimento ao renunciar. Dizem que todo mundo é inocente até que se prove o contrário, neste caso foi o inverso. Deltan foi condenado antes mesmo de se provar que ele era culpado de alguma coisa.

Todo o sistema está errado. Deltan e Sérgio Moro nunca poderiam ter ingressado na vida pública sem cumprir uma quarentena de no mínimo 3 anos depois de deixar os cargos de Procurador e Juiz. Ambos se privilegiam da exposição excessiva nos meios de comunicação por conta da Operação Lava Jato, para conquistarem mandatos eletivos. Lula só é presidente da República porque a decisão de Moro, de deixar a magistratura para ser Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, levantou suspeita sobre as suas sentenças. Mesmo com as inúmeras provas de corrupção, tudo foi anulado.

Sérgio Moro colocou as barbas de molho porque sabe que será o próximo da lista de cassados ou condenados. Ele responde a diversos processos na Justiça Eleitoral e não conta com a simpatia de absolutamente ninguém no Judiciário. Hoje ele é um senador solitário que vai precisar de muita sorte para não ter o mesmo destino de Deltan.

E para deixar a cabeça do brasileiro ainda mais embaralhada, a Justiça condenou o ex-presidente Fernando Collor por corrupção. Ele recebeu propina paga por empresas envolvidas na Operação Lava Jato. Collor foi condenado, os outros foram descondenados, para uns vale a lei para outros não. Como explicar tudo isso? É algo que ninguém consegue entender.

Uma coisa parece estar bem clara lá em Brasília, existe um ativismo político em boa parte do Poder Judiciário. Ministros dos Tribunais Superiores parecem estar gostando dos holofotes da mídia, estão se sentido poderosos, estrelas, e acabam tomando decisões sozinhos que são bastante questionadas. Os políticos por sua vez não estão gostando das coisas e prometem contra-atacar e colocar freios. Vai ser briga de cachorro grande.

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Ativismo jurídico? Ta tudo errado…

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