Ainda sem a definição de quem será o candidato do seu grupo político ao comando da Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem enfatizado as consequências das ações do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe para impulsionar a candidatura do líder do PP, Arthur Lira (AL).

Maia disse nesta quinta-feira (10) que, ao tentar interferir na eleição legislativa, o governo corre o risco de perder a grande maioria que atualmente tem na pauta econômica.

O grupo de Maia esperava anunciar ainda nesta quinta o nome que disputará a presidência da Casa representando o bloco, que tem seis partidos (PSL, MDB, PSDB, DEM, Cidadania e PV). Integrantes dessa ala já reclamam da indefinição e divergências internas. Lira lançou sua candidatura nesta quarta (9).

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Durante discurso em Porto Alegre nesta quinta, Bolsonaro pediu que os congressistas elejam uma boa chapa e disse que oposição não pode ser feita ao governo.

“Eu peço a Deus que ilumine vocês, deputados e senadores, para que escolham uma boa mesa diretora. Oposição não pode ser feita ao governo, a seu país. Oposição é natural, mas não em questões que envolvam o interesse nacional”, disse Bolsonaro durante inauguração de uma obra.

O Planalto tem atuado a favor de Lira. O governo avalia uma reforma ministerial para acomodar aliados e puxar mais votos para o candidato alinhado ao Executivo. A liberação de emendas também está em jogo para impulsionar Lira na eleição.

“Ele [o governo] está correndo risco de reduzir a grande maioria que tem na pauta econômica para tentar interferir na Câmara. […] E vai colocar em risco, sim, o ambiente de relacionamento com a centro-direita, que sempre votou a pauta econômica sem precisar de emenda, de cargos”, afirmou Maia.

Foto: Wilson dias/Agência Brasil

O presidente da Câmara, que tenta eleger um sucessor do seu grupo político, voltou a dizer que o objetivo do governo é obter o controle da Câmara para avançar na pauta de costumes, como medidas contra a preservação ambiental e projetos que flexibilizam as regras para armas. Para ele, isso poderá resultar na queda do apoio à pauta econômica e de reformas do governo.

Apesar da pressão para anunciar um candidato do seu entorno, Maia afirmou que a decisão está prevista para os próximos dias, sem dar uma perspectiva precisa.

Essa ala vem se apresentando como independente ao governo Bolsonaro para se contrapor à candidatura de Lira.

Os mais cotados até o momento são Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP).

Ribeiro, apesar de ser do PP –mesmo partido de Lira–, mantém postura autônoma em relação à sigla e às negociações com o governo. Ele, portanto, não tem o respaldo do PP para se lançar como adversário de Lira, e há uma articulação para que Ribeiro possa se candidatar pelo PSL.

Além deles, está na disputa Elmar Nascimento (DEM-BA).

Maia tenta atrair ainda o Republicanos, mas o partido quer sustentar uma candidatura própria, a do presidente da legenda, Marcos Pereira (SP), sem integrar o bloco que será formado pelo deputado do DEM.

Aliados de Lira, por outro lado, têm feito uma ofensiva sobre Pereira e chegaram a oferecer até mesmo um ministério a ele, em troca do apoio formal do Republicanos à campanha do candidato de Bolsonaro.