O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) disse a Rádio Banda B, de Curitiba, na manhã desta sexta-feira (7), que não está preocupado em ser o nome do centro para disputar a Presidência da República em 2022. Ao citar como possíveis candidatos do campo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o apresentador de TV Luciano Huck (sem partido) e o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes (PDT), Maia não incluiu o próprio nome na lista por ser “ainda menos conhecido” em relação ao três.

“O mais importante não são os nomes, mas sim que o centro-direita ou esquerda tenha força e unidade para implementar nossas propostas, nossas ideias. É para isso que participo deste processo. Não estou preocupado em ser o nome até porque meu nome deste nomes é ainda o menos conhecido e o que não foi testado. O Luciano Huck também não foi testado, mas ele fala para milhões de brasileiros em um programa de televisão. O importante é não estarmos focados em nomes, mas sim na unidade deste movimento que vai ter forças para levar um nome para um segundo turno”, disse Maia em entrevista por telefone a Paulo Sérgio Débski e Denise Mello, no Jornal da Banda B.

Presidente da Câmara Rodrigo Maia – Foto Ag. Brasil

O presidente da Câmara defendeu a união do “centro” em torno de um único nome para disputar a eleição presidencial de 2022 e disse que, caso isso não aconteça, o pleito certamente será disputado pelo atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Se estiverem separados, vamos repetir o segundo turno de 2018. Se eles tiverem a humildade e a compreensão de levarmos um candidato de centro-direita ou centro-esquerda ao segundo turno, juntos temos muita chance de que este nosso ambiente menos radicalizado possa participar do processo eleitoral com mais chances”, completou.

Sobre o governo Bolsonaro

Maia adotou um tom cauteloso para se referir ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Disse que só citou nomes recentemente por ter sido questionado, mas que prefere não falar em nomes ao fazer críticas. Na semana passada, em evento com investidores, ele disse que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, perdeu “as condições de ser o interlocutor” do governo na área e sobre o ministro da Educação, Abraham Weintraub afirmou: “Como que faz para o investidor olhar que o Brasil tem um ministro da Educação desse? Nosso país não tem futuro, né?”. Agora, em entrevista à Banda B, o comandante da Câmara amenizou.

“O governo tem áreas que caminham muito bem como a infraestrutura e a economia, mas acho que o ministro Ricardo Salles focalizou muito mal no ano passado, o que gera muito insegurança nos interlocutores do meio ambiente, o  que é ruim porque o meio ambiente tem um papel decisivo na decisão  de investimentos privados e estrangeiros no nosso país, mas ele tem ainda boa interlocução. Já na educação nada aconteceu por enquanto, mas não quero tratar de pessoas neste momento”, afirmou.

Sobre o presidente Bolsonaro, Rodrigo Maia disse que a relação melhorou muito e, apesar dele não ter ido à abertura dos trabalhos no Congresso no início da semana, foi no ano passado três ou quatro vezes para entregar projetos. “Nenhum presidente foi tantas vezes nos últimos 15 ou 20 anos”.

Reformas

Sobre as reformas tributária e administrativa, o presidente da Câmara garantiu que ambas estão bem encaminhadas e citou que a tributária deve caminhar até abril. Sobre o fato de estarmos num ano eleitoral, Maia disse que isso mais ajuda do atrapalha. “Não atrapalha não, mas ajuda porque todos querem ir para eleição com matérias importantes aprovadas”.

ICMS dos combustíveis

Questionado, Maia também comentou uma espécie de “desafio” feito por Bolsonaro aos governadores, dizendo que zera os tributos federais sobre combustíveis caso os governadores aceitem zerar o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“Parece que o governo federal arrecada R$ 35 ou R$ 40 bilhões se o presidente encaminhar esta proposta ao Congresso, certamente os governadores vão fazer a sua parte, todos,  claro, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ninguém vai reduzir uma receita sem cortar uma despesa no orçamento, mas acho que se o governo federal encaminhar o projeto, certamente vai estimular muitos governadores tomarem a mesma decisão em suas assembleias”.