Desde o ano de 2013 a prática de cortar orelhas e rabo de qualquer animal por fins estéticos é tido como maus-tratos, por se tratar de uma mutilação. Na manhã dessa segunda-feira (23), um filhote da raça pitbull, de apenas 2 meses, foi resgatado pela Polícia Civil de dentro de uma casa em Paranaguá, no litoral do Estado, instantes antes de ser submetido ao procedimento. O cachorrinho já estava anestesiado, nas mãos de um lutador que se passava por veterinário.

Fotos: Divulgação PC/PR

O delegado Matheus Laiola, da Delegacia do Meio Ambiente, contou que a informação veio de forma anônima e, no local, além da prática ilegal, a equipe encontrou materiais enferrujados que eram utilizados para a mutilação.

“Conseguimos achar o local momentos antes dele cortar a orelha do animal”, disse. “No local, o cão estava anestesiado, imediatamente esse homem recebeu voz de prisão por que ele não é médico veterinário e pela prática de maus-tratos. O cachorro estava dopado, mas até o final do dia estará recuperado. Encontramos vários apetrechos de cirurgia, inclusive alguns materiais estavam enferrujados que eles usavam”, relatou.

O delegado ainda explicou que no momento da prisão do falso profissional ele justificou dizendo que nunca tinha feito isso. “Quando chegamos no local ele disse que não, que era primeira vez que estava fazendo isso, mas isso todos mundo fala”, contou.

 

Ainda na casa do lutador os policiais encontraram medicamentos que são restritos a veterinários e materiais enferrujados. Além do lutador, o dono do cachorro, quando localizado também responderá pelo crime de maus tratos. O delegado ainda esclareceu que o animalzinho não será devolvido a ele.

“Se o dono levou lá ele sabia o que ia acontecer. Então vamos ver com relação a um lar temporário, entrar em contato com alguma ONG para receber esse animal, procurar o dono para saber o motivo dele ter feito isso e responsabilizá-lo”, completou.

Veterinário

O veterinário André Araújo, que avaliou o caozinho explicou que o pitbull filhote esta fora de risco. “Está em boas situações de saúde. Como recebeu a anestesia, está um pouco dopado, mas fora de risco”, esclareceu.

Ele também disse que essa prática proibida pode até levar a morte do animal. “Pode acontecer dele necrosar a orelha, infeccionar e ele vir a óbito. Se tem acompanhamento veterinário e ele tivesse uma patologia na orelha, sim. Mas clandestinamente não”, concluiu Araújo.

O falso veterinário, que alegou que operaria o cão por necessidade financeira, será indiciado pelos crimes de maus-tratos e exercício ilegal da profissão, já que se passava por veterinário.