Os professores da rede estadual de ensino vão entrar em greve a partir de 3 de junho contra a privatização da gestão de 200 escolas. A decisão foi tomada no sábado (25), após Assembleia Estadual que reuniu mais de 4 mil educadores e definiu pela paralisação total das atividades. 

Além do motivo da privatização, os professores também têm em pauta as questões financeiras não cumpridas pelo governo de Ratinho Junior (PSD), de acordo com a APP-Sindicato. 

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Foto: APP Sindicato.

A proposta que o governo do Paraná vai enviar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) é de privatizar a gestão de 200 escolas da rede pública estadual e instituir o programa Parceiro da Escola para repassar a empresas privadas, a partir de 2025, a gestão administrativa e financeira dos colégios estaduais com baixo IDEB e em áreas de vulnerabilidade social.

Para a APP-Sindicato, a proposta “representa a privatização e o fim da escola pública”. Algumas das consequências, verificadas em duas escolas que já foram privatizadas, a Anibal Khury Neto de Curitiba e Anita Canet de São José dos Pinhais, são que professores PSS terão seus contratos rescindidos e perderão o emprego.

“Nós precisamos do engajamento nessa frente de luta de todos os professores e funcionários, independente do contrato. Nós precisamos do engajamento, nessa luta, de pais e mães e de toda a comunidade paranaense, pois é o direito de acesso a uma escola pública de qualidade que está sendo negado”

defende Walkiria Olegário Mazet, presidente da APP Sindicato.

Manifestação

Os professores organizam, para o dia 4 de junho, um ato estadual em Curitiba. O protesto deve ser durante a sessão na Alep para pressionar os deputados a não aprovarem a ideia de terceirizar a educação estadual.

“Este programa é o fim da escola pública, talvez essa seja a  luta das últimas décadas mais importante para nós. Fazemos luta todo ano, defendemos uma escola pública de qualidade todo ano, mas nunca nos deparamos com um projeto que acaba com a escola pública. Se este programa for aprovado e implantado nas escolas, nós vamos, a cada dia, travar uma luta para manter uma escola aberta”

alerta a presidente da APP. 

A greve deve ser mantida, com a exceção de o governo do Paraná retirar o projeto de pauta. O governo ainda não se manifestou sobre o assunto.

O que diz o Governo do Paraná?

Em nota, o Governo do Paraná informou que o programa Parceiro da Escola foi concebido para apoiar os diretores. “Ele tem o objetivo de permitir que eles se dediquem apenas às atividades pedagógicas para promover um aprendizado ainda maior dos estudantes da rede. O projeto de lei propõe um modelo democrático com consulta de pais, estudantes, professores e diretores”.

Segundo a nota, “uma pesquisa realizada com pais e responsáveis de alunos matriculados nas duas escolas participantes do projeto-piloto mostra que mais de 90% dos pais e responsáveis aprovam o programa. Os benefícios vão do aumento da frequência escolar à inexistência de aulas vagas”.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) disse que está aberta ao diálogo para fortalecer o sistema educacional e se opõe ao radicalismo. “Também não compactua com a desinformação e com a postura partidária da APP-Sindicato”.

Conforme o governo, o Paraná possui um dos maiores pisos salariais entre os professores do Brasil, “o que não será objeto de mudança”. A nota diz ainda que a Seed-PR mantém o compromisso com a realização das aulas e que “a adesão à greve vai gerar falta e desconto para professores concursados e os professores temporários que não cumprirem com as suas obrigações terão o contrato rescindido”.

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Professores estaduais aprovam greve contra terceirização de escolas do Paraná

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