Cerca de 300 escorpiões foram encontrados por uma moradora de Maringá, no Noroeste do Paraná, na casa onde ela mora, no período de aproximadamente uma semana.

A moradora do imóvel, Natalí Matsumoto, afirmou ao Portal GMC, parceiro da Banda B, que os escorpiões começaram a aparecer em grande quantidade entre os dias 28 de outubro e 8 de novembro, mas os casos não pararam após esse período. Os aracnídeos estavam escondidos atrás de um muro, que faz divisa com o terreno vizinho, vazio.
“Depois de dois ou três dias eles voltam a aparecer. Nós tampamos os ralos, passamos veneno, vedamos o local de onde achamos que estão vindo, mas continuam surgindo no mesmo ponto, mesmo com tudo lacrado”.
Ela também afirmou que a família, que é composta por cinco pessoas, entre elas duas crianças de 2 e 10 anos, tem passado os dias com medo de picadas do animal.
A Prefeitura de Maringá afirmou ao GMC que foi realizada uma busca ativa em mais de 70 imóveis do bairro nos dias 17 e 18 deste mês e que equipes de zoonoses realizam visitas de rotina em imóveis onde os escorpiões foram encontrados. Os proprietários de terrenos em situação de abandono foram notificados para realizar a limpeza e, caso ela não ocorra dentro do prazo legal, será aplicada multa e limpeza pelo próprio município, com cobrança de taxas.
Dados
Este ano o Paraná já registrou mais de cinco mil casos de acidentes com escorpiões e três mortes em decorrência da picada do animal.
Os óbitos foram registrados em Cambará (um menino de 3 anos e um de 12 anos) e em Jacarezinho (uma menina de 4 anos). Embora a maioria dos acidentes seja de baixa gravidade, casos mais graves exigem atendimento médico imediato. A recomendação é que, diante de qualquer picada, a pessoa procure rapidamente uma unidade de saúde.
Escorpiões perto de casa
Os escorpiões se aproximam das casas em busca de alimento, especialmente insetos como baratas, atraídos por lixo e restos orgânicos. Materiais de construção, madeiras empilhadas, tijolos e entulhos também servem de abrigo para os animais, aumentando o risco de acidentes.
No Paraná, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie mais comum e responsável pela maioria dos casos graves e óbitos, especialmente em crianças. Sua picada pode causar reações intensas e requer atendimento médico imediato. As três mortes registradas este ano foram causadas pelo veneno dessa espécie.
O Estado também abriga outras espécies nativas, como o escorpião-marrom e o pretinho, mas o escorpião-amarelo é o mais preocupante por se reproduzir de forma assexuada, o que facilita infestações. Altamente adaptável, ele costuma viver em locais quentes e úmidos, abrigando-se sob entulhos, telhas, madeiras e frestas, e é atraído por ambientes com lixo e insetos, especialmente baratas, que compõem sua alimentação.
Dicas para evitar acidentes
Para evitar acidentes, é fundamental que a população mantenha jardins e quintais limpos, evite o acúmulo de entulhos e restos de materiais de construção nas proximidades das casas e terrenos baldios e acondicione corretamente o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados ou recipientes com tampa, impedindo a presença de baratas e outros insetos que servem de alimento para os escorpiões. Também é importante sacudir roupas, sapatos e toalhas antes de usá-los, já que os escorpiões podem se esconder nesses locais.
O que fazer em caso de picadas por escorpião
Em caso de acidente, recomenda-se limpar o local da picada com água e sabão, aplicar compressa morna e procurar imediatamente um serviço de saúde mais próximo. Se possível, o animal pode ser capturado com segurança, ou ainda registrado em fotografia para ser apresentado no atendimento médico para auxiliar na identificação.
Não se deve amarrar o local da picada, aplicar substâncias como álcool, querosene, ervas ou urina, nem realizar cortes, perfurações ou queimaduras. Também não é recomendado oferecer bebidas alcoólicas, gasolina ou outros líquidos à vítima, pois podem agravar o quadro clínico.
“Somente com a participação da população é possível reduzir os riscos. A prevenção depende de ações simples, como manter quintais e jardins limpos e acondicionar corretamente o lixo domiciliar”, afirmou César Neves.