Pacote de propostas de Ratinho Junior avança na Assembleia Legislativa do Paraná

A maior parte das propostas tramita em regime de urgência e foi discutida pelas comissões e plenário da Alep nas últimas três semanas

Redação com Alep

Uma série de projetos de lei de autoria do Poder Executivo estão avançando na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Apenas nesta segunda-feira (12), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e outros seis projetos deste pacote foram aprovados pelos deputados.

A maior parte das propostas tramita em regime de urgência e foi discutida pelas comissões e plenário da Alep nas últimas três semanas.

Divulgação Equipe Ratinho Junior

Entre as propostas já aprovadas, está a polêmica venda parcial da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Na prática, a mudança significa uma privatização, uma vez que o governo deixa de ser o controlador. A empresa não terá um dono e o capital será disperso, mas o Estado seguirá como maior acionista.

A criação de novas secretarias e cargos comissionados e o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços (ICMS) para produtos como refrigerantes são outras iniciativas aprovadas pela Alep.

A proposta que dispõe sobre a Gestão dos Hospitais Universitários Estaduais (HUs) no Paraná foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep, em sessão extraordinária. De acordo com o Poder Executivo, a matéria visa garantir a unicidade e a isonomia da gestão dos Hospitais Universitários.

O projeto de lei que cria o Conselho de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Curitiba também foi aprovado e segue agora para sanção, ou veto, governamental.

Já a proposta que prevê aumento real no Salário Mínimo Regional no Estado do Paraná a partir de 2023 recebeu emendas de plenário e foi retirada da pauta de votações, retornando agora para a CCJ.

Confira os detalhes das propostas que avançaram na Alep nesta segunda-feira.

PEC

Foi aprovada em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2022, do Poder Executivo, que altera os artigos 10, 27, 46, 48, 49, 53 e 66, acrescenta o artigo 48A e revoga o artigo 39 e o inciso XIV do artigo 53, todos da Constituição do Estado do Paraná. O texto passou após receber 39 votos a favor e sete contrários.

A PEC avançou na forma de um substitutivo geral da Comissão Especial que analisou a proposição. No novo texto, entre outros pontos, determina um novo regramento de doação ou cessão para uso gratuito do uso de bens de imóveis de propriedade do Poder Executivo.

A nova redação também determina que “o limite único previsto no § 12 do art. 37 da Constituição Federal para a remuneração, o subsidio, os proventos e as pensões no âmbito da Administração Pública direta, autárquica e fundacional, de quaisquer dos poderes, ressalvadas as remunerações em espécie dos membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Procuradores e dos Defensores Públicos, as quais não poderão exceder o limite mensal do subsidio do Ministro do Supremo Tribunal Federal, nos termos da parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição Federal”.

O texto também passou com uma emenda determinando a revogação do inciso II do artigo 15 da PEC, mantendo na Constituição Estadual o inciso XIV do artigo 53, que dá à Assembleia Legislativa a competência de legislar, especificamente sobre a Aquisição onerosa e alienação de bens imóveis do Estado, e que o Governo pretendia revogar. “Em outras palavras, isso significa que, caso mantido o inciso II do art. 15 da PEC 03/2022, essa competência não será mais exclusiva dos parlamentares, podendo ser efetivada diretamente pelo Chefe do Poder Executivo sem qualquer chancela do Poder Legislativo”, diz a justificativa do texto da emenda.

A PEC também dispõe sobre a autonomia organizacional do Corpo de Bombeiros, o que irá “permitir uma gestão pública mais eficiente”, destaca o Executivo na justificativa na matéria.

Segurança Pública

Avançou em primeira e em segunda votações o projeto de lei 485/2022, do Governo do Estado, que extingue o Fundo de Atendimento à Saúde dos Policiais Militares do Paraná e seus dependentes, denominado FASPM, criado pela Lei n° 14.605, de 5 de janeiro de 2005.

A proposta, diz o Executivo, é necessária em virtude da edição da Lei n° 17.169, de 24 de maio de 2012 – Lei do Subsidio da Policia Militar – que tornou facultativo o desconto referente ao FASPM, importando em descapitalização do fundo diante da redução drástica de contribuintes.

Com isso, complementa a justificativa da matéria, “diante do iminente esgotamento dos recursos do fundo e consequente inviabilidade orçamentária-financeira, o presente projeto visa a extinção do FASPM para que o patrimônio existente seja liquidado e utilizado para eventuais contas finais”.

Com a dispensa de votação da redação final aprovada, a matéria agora segue para sanção, ou veto, do Executivo.

Os parlamentares aprovaram em terceira discussão o projeto de lei 492/2022, do Poder Executivo, que revoga o artigo 5° da Lei n° 17.046/2012. De acordo com a proposta, a revogação possibilitará que o Estado avance na política pública que contemple um modelo de gestão mais eficiente com a terceirização no âmbito do Sistema Penitenciário, permanecendo com o Estado a segurança dos estabelecimentos penais.

Já o projeto de lei 491/2022, do Governo, que altera dispositivos da Lei n° 17.169, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre o subsidio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná, foi aprovado em segunda discussão.

Educa Juntos

Também passou em segundo turno o projeto de lei 469/2022, do Governo do Estado, que prevê a criação do Programa Educa Juntos no âmbito do Estado do Paraná, ação que terá relevância de programa social, em regime de colaboração com os municípios, sob a coordenação da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte – SEED. Com a dispensa de votação da redação final aprovada, a matéria agora segue para sanção, ou veto, do Executivo.

Meio Ambiente

A Casa também aprovou em primeiro e em segundo turnos o projeto de lei 461/2022, do Poder Executivo, que dispõe sobre a obrigatoriedade do fornecimento de informação adequada sobre a identificação das espécies de tubarão e raia, comercializadas com o nome popular de cação pelos supermercados, peixarias, restaurantes e estabelecimentos comerciais em geral. Segundo o governo, o texto visa “a conservação das espécies de tubarões e raias ameaçadas de extinção no litoral paranaense, em atendimento ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – ODS 14 e à Política Estadual de Proteção à Fauna Nativa, instituída pelo Decreto n° 3.148, de 15 de junho de 2004”. Com a dispensa de votação da redação final aprovada, a matéria agora segue para sanção, ou veto, do Executivo.

Viaje Paraná

Também de autoria do Poder Executivo, o projeto de lei 508/2022, que autoriza a criar o serviço social autônomo, a ser denominado Viaje Paraná, passou em primeira e em segunda discussões. De acordo com o texto, a proposta da criação da Secretaria de Estado de Turismo, que terá como competência a elaboração de políticas públicas de turismo para o Estado, é imperativa a modernização da gestão turística no Estado, integrando os atores públicos e privados, com intuito de obter maior eficiência e agilidade.

“O Viaje Paraná terá como competência básica a formulação, implementação e execução de ações de promoção, marketing e apoio à comercialização de destinos, produtos e serviços turísticos paranaenses no país e no exterior”, diz a justificativa da matéria. Com a dispensa de votação da redação final aprovada, a matéria agora segue para sanção, ou veto, do Executivo.

Redação final

Os parlamentares aprovaram em redação final os projetos de lei 272/2021, que altera a lei 17.726/2013, que criou o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial; 470/2022, que cria o Conselho de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Curitiba; e 327/2022, que trata dos serviços de transporte ferroviário de pessoas e bens no Estado do Paraná. As três propostas, assinadas pelo Poder Executivo, seguem agora para sanção, ou veto, governamental.

Emendas

Os projetos de lei 495/2022, do Poder Executivo, que estabelece os indicadores e os critérios, relativos às informações fornecidas pela Secretaria de Estado da Educação – SEED, para o índice de Participação dos Municípios – IPM na cota-parte do Imposto sobre o ICMS; 523/2022, que prevê aumento real no Salário Mínimo Regional no Estado do Paraná a partir de 2023; e 471/2022, que trata do Programa Colégio Cívico-Militares no Estado do Paraná; e o projeto de lei complementar 7/2022, que autoriza o Governo a instituir a Fundação de Apoio Atividade de Segurança Pública do Paraná – FAASP, receberam emendas de plenário e foram retirados da pauta de votações. As propostas, todas assinadas pelo Poder Executivo, retornam agora para a CCJ.

CCJ

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná aprovou em sessão extraordinária nesta segunda segunda-feira (12) a proposta que dispõe sobre a Gestão dos Hospitais Universitários Estaduais (HUs) no Paraná. De acordo com o Poder Executivo, a matéria visa garantir a unicidade e a isonomia da gestão dos Hospitais Universitários. O projeto, que tramita em regime de urgência, recebeu voto contrário dos deputados Tadeu Veneri (PT) e Cristina Silvestri (PSDB).

A justificativa do texto destaca que as atividades desenvolvidas nestas estruturas são resultantes das ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, com os HUs possuindo cada vez mais valor na estratégia estadual de saúde. O Executivo diz ainda que a proposta pretende criar um ambiente de inovação em que os HUs desempenhem papel fundamental na formação de profissionais qualificados na área de saúde, no acompanhamento do atendimento assistencial de excelência e na realização de pesquisas que resultem em processos e produtos inovadores na cadeia da saúde.

O projeto determina que os contratos de gestão ou outros instrumentos jurídicos de parceria previstos deverão conter um programa de trabalho detalhando os objetivos, a justificativa, a relevância, os órgãos e entidades públicos e privados envolvidos na execução, além de estipular as metas e prazos de execução, bem como critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados mediante indicadores de qualidade e produtividade.

A matéria também cria o Conselho Superior de Assistência Hospitalar para estabelecer as diretrizes de integração, avaliação e controle da relação entre a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) e os Hospitais Universitários para a Gestão Hospitalar Assistencial. Dessa forma, determina que o Conselho Superior seja um órgão colegiado de caráter normativo, deliberativo e consultivo da SESA, composto pelo Secretário de Estado da Saúde, como presidente; pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; por um representante do Conselho de Reitores das Universidades Públicas Estaduais; por um representante dos Hospitais Universitários; por dois representantes da Secretaria de Estado da Saúde; por um representante da Secretaria de Planejamento e um da Secretaria da Fazenda.

Demais matérias

A CCJ aprovou ainda o projeto de lei 525/2022, do Poder Executivo, que autoriza o Estado do Paraná a propor e aprovar o aumento de capital social do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) mediante transposição no orçamento fiscal do Estado, no valor de mais de R$ 65 milhões. Com isso, o Tecpar passará contar com capital social de mais de R$ 252 milhões. De acordo com o governo, o projeto visa reforçar ações e projetos estratégicos nas áreas de atuação do Instituto, como pesquisa, desenvolvimento, inovação produção e soluções tecnológicas, primordialmente no campo de aplicação à indústria do Estado do Paraná. A matéria recebeu um voto contrário do deputado Tadeu Veneri.

Os deputados também aprovaram o substitutivo geral ao projeto de lei 289/2021, de autoria do Poder Executivo. O projeto altera a Lei 14.895/2005, dispondo sobre tratamento tributário em relação ao ICMS aos estabelecimentos industriais de produtos eletroeletrônicos, de telecomunicação e de informática. A proposta do Executivo pretende incluir uma série de municípios com universidades e institutos tecnológicos entre as cidades com tratamento tributário especial em relação ao ICMS para os estabelecimentos que industrializem este tipo de produto de tecnologia.

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