A manifestação seguida de ocupação do prédio da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) durante a votação do projeto que prevê a terceirização da gestão dos colégios estaduais, nesta segunda-feira (3), terminou com duas pessoas presas por depredação de patrimônio público.

Em nota, o Governo do Estado informou que um inquérito foi instaurado pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) para apurar a conduta de cada um dos manifestantes que ocuparam o prédio da Casa Legislativa. As duas pessoas que foram presas são um homem e uma mulher. Elas foram autuadas pelos crimes e vão passar por audiência de custódia.

Dois manifestantes são presos por depredar prédio da Alep; polícia vai analisar imagens
Manifestação marcou início da greve de professores contra a terceirização da gestão dos colégios estaduais – Foto: Eliandro Santana/Banda B

“As imagens do circuito interno da Alep e do Centro de Comando e Controle Regional serão utilizadas na investigação, assim como um relatório circunstanciado da Polícia Militar e análises de peritos da Polícia Científica. Todas as informações também serão compartilhadas com o Ministério Público”, disse o Poder Executivo.

A Comissão Executiva da Alep avalia os danos causados à estrutura física do prédio. Até o momento, foi constatada a quebra de vidros e portas de acesso para o plenário, o arrombamento do portão principal de entrada e depredação de cadeiras nas galerias.

Os manifestantes contrários à privatização da gestão das escolas forçaram a entrada e ocuparam o prédio da Alep, como mostrou a Banda B. Alguns deles foram atingidos por bombas de gás lacrimogênio, e três foram socorridos ao hospital com ferimentos. Além disso, há relatos sobre policiais que também ficaram feridos durante a confusão.

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Confusão deixou três manifestantes feridos – Foto: Eliandro Santana/Banda B

Os professores, estudantes e servidores que faziam parte do protesto – ato que deu início à greve da categoria – se dirigiram até a Assembleia Legislativa do Paraná poucas horas depois de se concentrarem na Praça Santos Andrade, na região central de Curitiba. Às 11h desta segunda, o presidente da Alep, Ademar Traiano (Alep), ordenou que as portas do edifício fossem fechadas para impedir a entrada deles.

Durante a sessão, contudo, houve a ocupação e a suspensão da votação, que foi retomava de forma virtual mais tarde. O projeto de lei foi aprovado em 1º turno por 39 votos a 13. A segunda discussão sobre o projeto que tramita em regime de urgência começou na manhã desta terça (4).

Horas após o protesto, a Justiça autorizou a reintegração de posse do prédio da Alep. Alguns dos manifestantes dormiram nas galerias do edifício.

‘Baseada em fake news’

O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), afirmou nesta segunda-feira (3) que a greve dos professores da rede estadual de ensino é “política, baseada em fake news e ilegal”. A declaração ocorreu enquanto docentes, estudantes e outros servidores marchavam em direção à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para acompanhar a votação do projeto de lei.

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Manifestantes que apoiam a greve de professores marcham em direção à Assembleia Legislativa do Paraná – Foto: Ernani Ogata

Para o governador e Secretaria de Estado da Educação (Seed), a adesão à greve “é baixíssima”, discurso que vai na contramão da informação repassada pela APP-Sindicato, que representa a classe dos professores. Enquanto o Governo do Estado diz que 87% das escolas paranaenses não aderiram à greve, a entidade apontou que havia pelo menos 20 mil pessoas nas ruas do Centro de Curitiba.

Os professores decidiram ignorar a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que suspendeu o início da greve sob multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Apesar dos reveses da Justiça em relação ao movimento dos professores, a APP-Sindicato afirma que manterá a greve e que assiste a uma “forte” adesão dos pais e alunos.

“A greve é ilegal e a Justiça já decretou isso! A adesão é baixíssima, e a maioria dos alunos estão tendo aula normalmente, o que demonstra a maturidade dos nossos professores e diretores em entender que os sindicalistas fizeram um monte de fake news sobre o projeto que está sendo votado”, afirmou o governador.

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